Com nova metodologia para reajuste de preços, Petrobrás dispara na Bovespa

Diesel e gasolina são foco do novo método para reajuste dos combustíveis, segundo o diretor Financeiro da Petrobrás

Sabrina Valle, Mariana Durão e Mônica Ciarelli, da Agência Estado, Texto atualizado às 17h36

28 de outubro de 2013 | 12h21

RIO - O diesel e a gasolina são o foco principal da nova metodologia de reajuste da Petrobrás, mas todos os combustíveis vão entrar na conta feita pela empresa. A mudança do método de cálculo foi anunciada na sexta-feira, quando a Petrobrás reportou queda de 39% no lucro, que somou R$ 3,4 bilhões no terceiro trimestre.

O diretor Financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, afirmou nesta segunda-feira, 28, que a metodologia aprovada pela diretoria da Petrobrás pode levar tanto a aumento quanto a reduções de preço. Segundo ele, a metodologia dá espaço para trabalhar com periodicidades e porcentuais diferentes.

 

Embora ainda tenham ficado dúvidas de como funcionará, a nova metodologia deve garantir reajustes automáticos nos preços dos combustíveis. De acordo com Barbassa, se aprovado, o novo modo de alterar preços "não requer voltar à diretoria para aprovação." Atualmente, o governo tem controlado os reajustes dos combustíveis da Petrobrás para que não causem impactos inflacionários.

O anúncio ofuscou o balanço do terceiro trimestre e fez as ações da estatal dispararem na Bovespa. Petrobrás ON saltou 9,83% e movimentou R$ 492,804 milhões, enquanto a PN avançou 7,57%, com giro de R$ 1,425 bilhão. Respectivamente, primeira e segunda maiores altas do Ibovespa, seguidas por Eletropaulo PN (+6,26%).

Com isso, o Ibovespa terminou o dia em alta de 1,70%, aos 55.073,37 pontos. Na mínima, registrou 54.070 pontos (-0,15%) e, na máxima, 55.076 pontos (+1,70%). No mês, acumula alta de 5,23% e, no ano, perda de 9,64%. O giro financeiro totalizou R$ 6,788 bilhões.

Preços. Atualmente apenas o querosene de aviação (QAV) e a nafta têm paridade com preços internacionais. Barbassa afirmou que a premissa de paridade já existia no planejamento estratégico da Petrobrás. "O que teremos adicionalmente será a previsibilidade de como chegar lá", concluiu.

"Quando se fala de previsibilidade e redução da alavancagem tudo será colocado na conta, de forma que vamos olhar o essencial e ver o mercado caso a caso para definir os ajustamentos. Essas são variáveis passíveis de adequação nos estudos. O importante é o conjunto total", disse o diretor Financeiro da Petrobrás a analistas.

Aprovação. Barbassa não quis fazer previsões sobre a reunião do dia 22 de novembro, quando o assunto será debatido no conselho de administração, caso a proposta da diretoria não seja aprovada. Ele também preferiu não comentar quando seria a implementação da metodologia, mas deixou aberta a possibilidade de se tratar do assunto em reunião extraordinária antes do dia 22, o que possibilitaria aplicação mais imediata.

Endividamento. A nova metodologia, segundo Barbassa, virá como consequência do aumento da alavancagem (endividamento em relação ao patrimônio líquido) da Petrobrás, que chegou a 36% no terceiro trimestre, extrapolando o nível de 35% considerado aceitável.

"Já ultrapassamos os níveis que nos colocamos e também compatíveis com nosso plano de negócios", disse Barbassa.

Barbassa lembrou que o aumento do endividamento ocorreu em função da menor geração operacional e do crescimento dos investimentos da estatal, além do pagamento de dividendos e de juros.

Dúvidas. Os analistas que participam hoje da teleconferência com a diretoria da Petrobrás centraram seus questionamentos na proposta de criação de uma nova metodologia de reajuste. As principais dúvidas giraram em torno de porcentuais e periodicidade das correções frente aos preços internacionais e também da necessidade de aprovação do conselho de administração. /Com Reuters

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