Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Com nova venda de ações, participação do BNDES na JBS cai para menos de 20%

Banco de fomento começou a vender ações do frigorífico há dois meses e, agora, se desfez de mais de R$ 2 bilhões em papéis da gigante dos alimentos

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2022 | 11h29

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltou ao mercado financeiro para vender uma fatia adicional das ações que possui do frigorífico JBS, da família Batista, dois meses depois de começar a se desfazer da posição. A venda envolveu e 50 milhões de papéis. A transação somou cerca de R$ 2 bilhões.  A venda foi feita via leilão na Bolsa de Valores.

Com a venda, o BNDES deverá ter sua participação na empresa caindo para abaixo de 20%. Antes da transação no fim do ano passado, o banco de fomento tinha uma fatia de 24,5% na empresa –  maior exposição da carteira de renda variável da instituição financeira. A operação foi conduzida pelo BTG Pactual, que deu garantia firme no lote.

O diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do BNDES, Bruno Laskowsky,  afirma que a venda das ações da JBS faz parte de um movimento de reciclagem da carteira do banco, com a saída de empresas mais maduras.  “É essa visão de reciclagem que gira nossa carteira. Não sou pago para tomar risco com o dinheiro do brasileiro. Nosso mandato é para gerar desenvolvimento, investir em infraestrutura, em ativos socioambientais, tecnologia, inovação...”, diz o executivo do banco de fomento.

Além da continuidade da venda das ações da JBS, visto que o BNDES ainda possui uma grande participação, já foi deliberada a venda de ações detidas da Copel e da Ourofino.  Laskowsky frisou, contudo, que não há pressa nas vendas e que o banco buscará fazer as operações em momentos em que seja possível maximizar o retorno.

Redução

Na gestão de Gustavo Montezano, o BNDES reduziu em mais de R$ 80 bilhões sua carteira de renda variável, despedindo-se das chamadas gigantes nacionais, como Petrobras, Vale e Suzano. Durante a maior parte da década passada, a instituição de fomento investiu pesadamente na formação de campeões nacionais, que incluiu altos incentivos a frigoríficos como Marfrig e JBS.

Em troca de bilionários empréstimos para fomentar sua expansão dentro e fora do País, o BNDES acabou se tornando sócio de muitas companhias por meio de seu braço de participações, o BNDESPar. Após um período de vendas de papéis, uma das últimas fatias relevantes que sobram na mão do banco é justamente a da JBS. 

A venda faz sentido neste momento, isso porque, graças ao bom momento da companhia, especialmente no exterior, seus papéis vivem um momento de alta. Em um ano, as ações da JBS já subiram mais de 30% na B3, a Bolsa paulista. Logo, o BNDES está aproveitando este momento positivo para “sair na alta” do investimento.

 

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