Com o Gávea, JP Morgan ganha mais força no Brasil

Compra do controle da empresa de gestão de ativos de Armínio Fraga foi anunciada oficialmente terça-feira 

Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2010 | 22h30

Do lado do Gávea, aumentar o foco na gestão de recursos, aderindo a uma poderosa plataforma administrativa global, e garantir no longo prazo a continuidade da empresa para além da vida profissional dos dois principais sócios, Arminio Fraga e Luiz Fraga. Do lado do Highbridge e do JP Morgan Asset Management, incluir clientes e ativos brasileiros no cardápio de negócios, e também a capacidade de montar estratégias de investimento em cima das grandes tendências macroeconômicas.

Esse poderia ser um resumo das motivações que levaram ao fechamento, no Rio de Janeiro, da aquisição pelo Highbridge Capital Management – o braço do JP Morgan em "gestão alternativa de ativos" – do Gávea Investimentos, a empresa de gestão de recursos mais conhecida por um dos seus sócios-fundadores, Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central.

Por um valor não divulgado, o Highbridge compra num primeiro momento 55% do Gávea, devendo adquirir gradativamente o restante ao longo de um prazo de cinco anos. Nesse período, Armínio e Luiz Fraga devem ficar no negócio, mas os dois deixam claro que a permanência pode ser mais longa.

"Não temos nenhuma intenção de mudar o que fazemos a curto prazo, mas sim de construir as condições para que essa transição ocorra de maneira suave", disse Arminio na terça-feira, na sede do Gávea, no badalado bairro do Leblon no Rio, em entrevista da qual participaram também Luiz Fraga, Glenn Dubin, um dos fundadores e principal executivo do Highbridge, e Mary Callahan Erdoes, principal executiva do JP Morgan Asset Management. O clima era festivo no Gávea. "Há 15 pessoas do Highbridge no andar aqui debaixo que vieram conosco celebrar a confirmação deste negócio", disse Dubin.

Negociações

O negócio nasceu a partir de conversas entre Arminio e Dubin em Nova York, há cerca de um ano. Elas foram seguidas por discussões entre Dubin e Mary Erdoes. Tudo se baseou na ideia de reeditar, na operação com o Gávea, o mesmo espírito que presidiu a aquisição do Highbridge pelo JP Morgan em 2005.

O Highbridge é um fundo de hedge (que faz aplicações de maior risco) fundado em 1992 por Dubin e um sócio. O JP Morgan comprou a empresa, mas esta continuou atuando de forma independente em termos de gestão, recrutamento e remuneração – o mesmo modelo que se pretende aplicar ao Gávea. A intenção é justamente a de preservar o espírito empreendedor e criativo de estruturas enxutas e relativamente pequenas, como o Highbridge e o Gávea, quando comparadas a um dos maiores bancos do mundo.

"O Glenn e o Arminio formaram uma combinação instantânea, os dois têm empresas tremendamente bem-sucedidas, com um histórico que atraiu alguns dos mais importantes investidores em todo o mundo", elogiou Mary, do JP Morgan. Desde que foi comprado pelo JP Morgan, o Highbridge aumentou seus ativos de US$ 7 bilhões para US$ 21 bilhões.

Dubin, por sua vez, explicou que há uma mudança no setor de fundos de hedge nos últimos três a cinco anos, e que para fazer frente a ela é muito útil ter uma organização com o tamanho e a reputação do JP Morgan. Os clientes tradicionais, pessoas muito ricas ou outros fundos, vêm sendo progressivamente substituídos por investidores institucionais, como fundos de pensão, fundos soberanos ou fundos de doações que financiam grandes universidades.

Lacuna

O encaixe entre o Gávea e o Highbridge se dá em dois níveis. Geograficamente, o fundo americano cobre quase todas as principais regiões do mundo, com destaque para os Estados Unidos e a Ásia, mas tinha uma lacuna justamente em termos de Brasil e América Latina.

Já nas linhas de negócio, o Gávea traz a capacidade de tomar posições em cima de tendências macroeconômicas globais, uma das especialidades da empresa brasileira, enquanto que o Highbridge tem um poder global de análise de empresas e setores "no terreno", isto é, diretamente nos locais onde atuam.

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