Bruno Rocha|Fotoarena
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Com oferta de quase R$ 1 bi, Pátria vence leilão de rodovias em São Paulo

Gestora ganhou a briga pela concessão de rodovias do lote Centro-Oeste Paulista com lance 131% superior ao valor mínimo estabelecido; para analista, em decorrência da Lava Jato, participação de fundos na área de infraestrutura deverá se fortalecer no País

Luciana Dyniewicz, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2017 | 21h38

Com um lance de R$ 917 milhões, o Pátria Investimentos foi o vencedor do leilão do lote de rodovias do Centro-Oeste Paulista, um trecho de 570 km quilômetros entre o município de Florínia (na divisa de São Paulo com o Paraná) e Igarapava (limite com Minas Gerais). A oferta – 130,89% superior ao valor mínimo de R$ 397,2 milhões estabelecido para a disputa – marcou a estreia da gestora de investimentos no segmento de estradas.

Agora, deverá criar uma outra companhia para administrar os novos ativos. Com a inclusão da concessão das rodovias, o portfólio do fundo III de infraestrutura do Pátria passará a contar com seis empresas, incluindo Argo, Pare Bem (de estacionamentos), Odata (de data centers), Tecnogera (de geradores de energia) e Vogel (de telecomunicações).

Em nota, a gestora afirmou que o setor de concessões no Brasil atravessa uma fase de mudanças “muito positivas” e que a rodovia arrematada representa uma “excelente porta de entrada” no setor. O sócio da área de infraestrutura do Pátria Investimentos, Felipe Pinto, destacou, ainda no comunicado, que montou uma equipe para avaliar o setor de rodovias.

Tendência. A intensificação da atuação do Pátria e de outros fundos de investimento na área de infraestrutura é uma tendência no mercado brasileiro que deverá se fortalecer nos próximos meses em decorrência da Operação Lava Jato, que tirou as grandes empreiteiras das concorrências, de acordo com o presidente da consultoria BF Capital, Renato Sucupira. “Acabou a fase das construtoras como protagonistas”, diz.

Para Sucupira, os fundos, incluindo o Pátria, entrarão com força também nos leilões de aeroportos e redes de saneamento. “São companhias com visão financeira que contratarão os prestadores de serviço. E deverão formar grandes empresas, como a Arteris (de concessão de rodovias), da (gestora canadense) Brookfield.”

Contrato. Além dos R$ 917 milhões que o Pátria deverá repassar ao Estado de São Paulo quando o contrato for assinado, o que deve ocorrer dentro de 60 dias, a gestora também terá de pagar uma parcela de R$ 397 milhões em março de 2018. Nessa data, vencerá a outorga que a concessionária Vianorte (da Arteris) detém de um trecho de 236 quilômetros que também foi leiloado nesta sexta-feira, 10, e que, no ano que vem, passará a ser administrado pelo Pátria.

Ao todo, o projeto demandará investimentos de R$ 3,9 bilhões ao longo de 30 anos de concessão, sendo que R$ 2,1 bilhões deverão ser aplicados já nos primeiros oito anos.

O lance do Pátria foi 50% superior ao da segunda colocada na disputa, a EcoRodovias, que ofereceu R$ 611 milhões. Esse valor garantiria um ágio de 53,8% ao Estado. Sucupira analisa que o lance da gestora de investimentos pode parecer alto, mas disse acreditar que o Pátria deve ter projetado riscos menores de operação que a EcoRodovias. “A infraestrutura no País tem possibilidade de grande variação de preços pela simples análise de risco.”

De acordo com o edital do leilão, o Pátria poderá instalar quatro praças de pedágios no trecho de 338 quilômetros que ainda não está sob administração da iniciativa privada. As tarifas por quilômetro deverão ser inferiores às de outras concessões atuais. Na parte da rodovia que hoje está sob concessão da Vianorte, os preços deverão recuar 19% em média na comparação com os atuais, além de haver um desconto de 5% para quem usar o modo eletrônico de pagamento de pedágio.

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