Com pagamento de juros, governo tem resultado negativo de R$ 11,8 bilhões

Segundo o Banco Central, déficit nominal de julho é maior do que o verificado em igual mês do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 5 bilhões

Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

31 de agosto de 2012 | 10h49

BRASÍLIA - O setor público consolidado encerrou julho com déficit nominal de R$ 11,8 bilhões. Segundo o Banco Central, o rombo nas contas públicas é maior do que o verificado em igual mês do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 5 bilhões. O déficit nominal ocorre sempre que a economia realizada pelo governo para pagar os juros (superávit primário) é insuficiente para realizar o pagamento de juros do período.

Ainda de acordo com o BC, a maior parcela do déficit nominal do mês passado foi do governo central, que amargou saldo nominal negativo de R$ 7,5 bilhões. Entre os outros setores do poder público, os governos regionais tiveram saldo negativo de R$ 4,7 bilhões, enquanto as empresas estatais conseguiram um superávit nominal (sobra após o pagamento com juros) de R$ 450 milhões.

No acumulado do ano até julho, o setor público registrou déficit nominal de R$ 57,2 bilhões, ou 2,27% do PIB. No mesmo período de 2011, o saldo negativo representava 1,98% do PIB. No acumulado dos últimos 12 meses até o mês passado, a conta havia ficado negativa em R$ 118,6 bilhões, ou 2,75% do PIB.Em doze meses até junho, o déficit nominal equivalente ao PIB era de 2,61%.

Juros somam R$ 17,4 bilhões

Os gastos com juros do setor público consolidado cresceram de R$ 16,1 bilhões em junho para R$ 17,4 bilhões em julho. No acumulado do ano até julho, o gasto com juros soma R$ 128,4 bilhões (5,1% do PIB). Houve queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando essa despesa somava R$ 138,5 bilhões (5,89% do PIB). 

Segundo o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, "este é o sétimo mês consecutivo de recuo dessa conta em porcentual do PIB", disse. De forma geral, o chefe de departamento salientou que os dados positivos são reflexo da menor inflação este ano ante o ano passado e também da redução da taxa básica de juros (Selic).  

No acumulado em 12 meses, o gasto com juro do setor público recuou pelo quarto mês consecutivo em termos nominais e alcançou R$ 226,5 bilhões (5,26% do PIB).

O Banco Central informou que a elevação do gasto com juro na comparação entre junho e julho deste ano se deveu ao maior número de dias úteis do mês passado. Já a redução das despesas com juro no acumulado do ano foi influenciada pela trajetória de queda da taxa Selic e pela variação menor no IPCA, dois importantes indexadores da dívida.

Superávit primário

O setor público consolidado registrou em julho R$ 5,5 bilhões de superávit primário. O resultado ficou dentro do intervalo previsto após levantamento do AE Projeções, que estimava um primário do setor público consolidado entre R$ 4,2 bilhões e R$ 6,8 bilhões, e ligeiramente acima da mediana projetada, de R$ 5,4 bilhões.

Maciel, do BC, destacou que o resultado primário de julho foi favorável em relação a junho, quando foi de R$ 2,794 bilhões. "Isso é um bom sinal de evolução das contas públicas. É um sinal positivo em termos de perspectivas para o resto do ano", considerou.

Segundo o BC, a maior parte do superávit primário do mês passado, foi gerada pelo governo central, que terminou o período com saldo positivo de R$ 3,835 bilhões. Os governos regionais contribuíram com R$ 1,005 bilhão e as empresas estatais, com R$ 730 milhões. 

O BC informou ainda que no acumulado de 2012 até julho, o superávit primário do setor público consolidado foi de R$ 71,2 bilhões, o equivalente a 2,83% do PIB. Em igual período de 2011, essa fatia estava em 3,11%. Já no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em julho, o superávit primário diminuiu para R$ 107,9 bilhões, o que representa 2,51% do PIB. Até junho, o primário somava R$ 116,1 bilhões, o equivalente a 2,71% do PIB.

Dívida líquida

A dívida líquida do setor público recuou de 35,1% do PIB em junho, para 34,9% do PIB em julho, atingindo novamente em julho o menor porcentual na comparação com o PIB da série histórica iniciada em dezembro de 2001 pelo Banco Central.. A dívida do governo central, governos regionais e empresas estatais terminou o mês passado em R$ 1,5 trilhão. 

Na comparação com dezembro do ano passado, a dívida líquida apresenta redução de 1,5 ponto porcentual do PIB. De acordo com o BC, o superávit primário no período contribuiu para uma redução de 1,7 ponto porcentual, enquanto o crescimento do PIB corrente ajudou a diminuir o endividamento em 1,4 ponto porcentual.

A desvalorização cambial de 9,3% no acumulado do ano até julho, deu uma contribuição de 1,4 ponto porcentual para a queda na relação dívida/PIB. No sentido contrário, a apropriação de juros elevou o endividamento em 3 pontos porcentuais do PIB no mesmo período.

O BC informou ainda que a dívida bruta do governo geral subiu 57,2% do PIB em junho, para 57,6% do PIB em julho. A dívida bruta encerrou o mês passado em R$ 2,48 trilhões.

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