Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Vale dá início a projeto na Floresta Amazônica de R$ 14,3 bi

Inauguração de projeto de minério de ferro vem em momento de cortes para a empresa

Fernanda Nunes, enviada especial ao Pará, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2016 | 05h00

CARAJÁS - A mineradora Vale inaugurou neste sábado, 17, o maior investimento privado feito no País nesta década – o complexo S11D, uma obra de US$ 14,3 bilhões, para extrair minério de ferro de baixo custo no meio da Floresta Amazônica, no Pará. O evento aconteceria na quinta-feira, mesmo dia em que o presidente Michel Temer lançou o pacote de medidas de incentivo à economia. Foi adiado a pedido de Temer, que pretendia estar presente à inauguração. No entanto, a ida do presidente foi cancelada por causa de uma forte chuva na região, segundo informou a assessoria do Palácio do Planalto.  

Durante a abertura do evento de inauguração do projeto, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que a empresa sempre teve confiança no projeto S11D, mesmo num cenário de volatilidade no preço do minério de ferro. "Tivemos o desafio de implantar uma das maiores operações de minério de ferro do mundo, mesmo diante de incertezas." 

O executivo lembrou que, em 2011, quando a Vale tomou a decisão de levar o S11D adiante, o minério de ferro era negociado a US$ 191/tonelada, mas que, em janeiro deste ano, chegou ao patamar de US$ 37/tonelada. "Foi uma perda de 80% em nossa receita."

Ferreira ainda agradeceu os membros do Conselho de Administração da Vale, ressaltando que todos sempre apoiaram a continuidade do projeto, mesmo no cenário de dificuldades. "Levamos o S11D com uma inabalável confiança na recuperação e no crescimento", disse. "Sabemos que o Brasil passa por uma dificuldade muito grande, mas nem por isso demos as costas ao passado grandioso da Vale."

No auge da construção, em 2015, cerca de 15,7 mil empregados chegaram a trabalhar no superprojeto instalado no município de Canaã do Carajá, no sudeste paraense. Neste semestre, 1,2 mil trabalhadores foram demitidos a cada mês, entre próprios e terceirizados, apesar de 8 mil ainda permanecerem no canteiro de obras. Aberta a mina e instalados usina e logística, esse número caiu para 1,6 mil pessoas. Quando o S11D começar a operar comercialmente, em janeiro, chegarão a 2,7 mil pessoas, contingente muito inferior aos 7 mil da mina de Carajá, ao sul, que funciona no município vizinho de Parauapebas, desde 1985.

Automação, redução do custo com mão de obra, energia elétrica e manutenção garantem a economia no S11D, em um ambiente internacional de baixas cotações do minério de ferro. O custo do produto pronto para ser exportado no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís do Maranhão (MA), é de US$ 7,70 por tonelada, 41% menor do que a Vale alcança em sua média.

Os números do projeto são tão bons que, se a demanda aumentar e as cotações permitirem, a mineradora vai priorizar o aumento da produção no S11D e não em qualquer outra mina da região Norte do País, segundo o diretor de Operação Ferrosos Serra Sul, Josimar Pires. “O uso de correias, em vez de caminhões é uma das principais razões para o custo tão baixo do projeto”, afirmou.

Potencial. O projeto nasce com capacidade de produção de 90 milhões de toneladas por ano (Mtpa), mas a produção está limitada a 75 Mtpa por restrições logísticas. Enquanto aguarda as condições do mercado melhorarem, ao mesmo tempo em que evita inundar o mercado com mais minério, a Vale escalona a utilização dessa capacidade total, que só será atingida em 2020. Inicialmente, o plano era alcançar esse volume em 2018.

O S11D é apenas um pedaço de uma grande área sob concessão da Vale, com potencial para produzir 10 bilhões de toneladas de minério de ferro. Juntos, o bloco D, inaugurado hoje, e o C, ainda sem data para ser explorado, somam reservas de 4,24 bilhões de toneladas.

O projeto sai do papel após 15 anos de sua idealização. A licença prévia saiu em 2012, quatro anos antes do Ibama liberar a operação. Por estar na Floresta Nacional de Carajá, unidade de conservação ambiental, os técnicos do instituto ficaram receosos com os prejuízos que o S11D poderia causar. O projeto tem a vantagem, porém, de não contar com barragem de dejetos, o que evita a repetição de desastres como o de Mariana (MG). No projeto, o ultrafino de minério, com alto teor de ferro, que iria para a barragem, não será descartado. / COLABOROU VICTOR AGUIAR

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