Com reserva gigante, Brasil vislumbra outro patamar em petróleo

A descoberta da maior reserva depetróleo e gás do país, e a perspectiva de que muito mais possavir, fez com que o Brasil vislumbrasse outro patamar no mercadomundial de energia. A notícia fez as ações da Petrobras subiremquase 15 por cento e levou o governo a retirar áreas de umleilão marcado para o fim do mês. Análises concluídas pela Petrobras confirmaram que existeuma grande faixa de 800 quilômetros, que se estende do litoraldo Espírito Santo ao de Santa Catarina, potencialmente rica empetróleo e gás. Perfurações em apenas uma pequena parte dessa faixa, ocampo de Tupi, resultaram na descoberta de uma reserva que podeatingir 8 bilhões de barris de petróleo, o que significaria umaumento de aproximadamente 50 por cento nas reservas totais dopaís. "O Brasil está hoje em 17o lugar no ranking de países commaiores reservas de petróleo. Com a nova descoberta podemossubir para um lugar entre 8o ou 9o", afirmou o presidente daPetrobras, José Sergio Gabrielli. "E é um bloco apenas, de uma pequena parcela da área",acrescentou, indicando que a continuação da avaliação da faixade 800 quilômetros, chamada de pré-sal, poderá resultar em maisdecobertas sobre as quais nem Gabrielli arrisca opinar: "Sevocês me perguntarem um número, eu vou dizer que eu não sei". As informações do potencial de petróleo dessa nova áreacausaram um alvoroço no governo. Uma reunião extraordinária doConselho Nacional de Política Energética foi convocada e levouà sede da Petrobras, no Rio, vários ministro e o presidenteLuiz Inácio Lula da Silva. Após o encontro, que durou cinco horas, a ministra-chefe daCasa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que as novas informaçõestransformariam o Brasil em país exportador de petróleo. "Podemos ir para um patamar onde estão Arábia Saudita eVenezuela", disse, acrescentando que o governo estava retirando41 blocos do próximo leilão de áreas de exploração de petróleoe gás, todos eles de alto potencial de produção e situados namesma faixa ultraprofunda do campo de Tupi. O leilão está marcado para o fim do mês e já contava com ainscrição de mais de 60 empresas, grande parte estrangeiras,atraídas pelos comentários que já circulavam no mercado sobre opotencial das áreas que seriam ofertadas. AÇÕES DECOLAM; CUSTO DE EXPLORAÇÃO É DESAFIO As ações da Petrobras registraram fortes altas, tanto naBovespa como na bolsa de valores de Nova York. Na bolsa paulista, as preferenciais subiram 14,12 porcento, para 80,17 reais. Foi a maior alta desde janeiro de1999, segundo levantamento da consultoria Economática. Isso levou o valor de mercado da estatal a 385 bilhões dereais. As ADRs da empresa em Nova York subiram 25 por cento. As empresas parceiras da estatal no campo de Tupi, BG Groupe Galp, também registraram forte procura por seus papéis nasbolsas onde são negociadas. A BG Group, que tem 25 por cento departicipação no campo, subiu 9,7 por cento, enquanto a Galp,que tem 10 por cento no consórcio, teve alta de 13,7 por cento. Produzir petróleo e gás em áreas ultra-profundas não será omaior problema para a Petrobras, na avaliação do geólogo eprofessor da Coppe-UFRJ, Giuseppe Baccocoli, ex-funcionário daempresa e um dos primeiros entusiastas das pesquisas na chamadacamada pré-sal. O desafio, segundo ele, será reduzir o custodos projetos, que pode ser multiplicado por 10 no caso de Tupi. "Estamos falando de profundidades de 6 mil metros, comdificuldades cada vez maiores. Se um poço em Campos custa 10milhões de dólares para ser furado, em Tupi custará 120 milhõesde dólares", afirmou. Ele explicou que o petróleo está escondido por uma faixa de2 mil metros de água, 2 mil metros de sedimentos e 2 mil metrosde sal. "A essa profundidade, o sal se torna uma massa plástica quese move no sentido de fechar o poço. Já tentamos antes e sempretínhamos esse problema," explicou, afirmando que serãonecessários tubos de aço "com uma dureza muito acima donormal." (Texto de Marcelo Teixeira)

DENISE LUNA E ANDREI KHALI, REUTERS

08 de novembro de 2007 | 20h54

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