Com saída de executivo, Pimco perde US$ 10 bi

Investidores sacaram dinheiro da gestora americana após anúncio de que o cofundador da empresa iria para a concorrente Janus

Reuters

29 de setembro de 2014 | 08h08

Atualizado às 22h30

A saída de Bill Gross da empresa de investimentos Pacific Investment Management Company (Pimco), anunciada na manhã da sexta-feira, teve um impacto imediato: desde então, os investidores retiraram cerca de US$ 10 bilhões da companhia. A informação foi publicada pelo jornal Wall Street Journal, citando uma fonte familiarizada com o tema.

Alguns executivos da empresa de investimento projetam que a instituição vai perder US$ 100 bilhões ou mais em ativos devido a saques, afirmou a fonte, e alguns analistas estimam uma perda mais elevada. 

Na sexta-feira, o analista da consultoria Morningstar Vincent Lui estimou que a saída de Gross poderia levar investidores a retirar centenas de bilhões de dólares em ativos da Pimco e investi-los com o Janus Capital Group, empresa concorrente da qual Gross passou a fazer parte.

Gross, que deixou a empresa após meses de conflito interno sobre a sua liderança, administrava o fundo Pimco Total Return, o maior fundo de bônus do mundo, com US$ 222 bilhões. Investidores já retiraram quase US$ 70 bilhões do principal fundo mútuo de Gross de maio de 2013 a agosto de 2014, segundo dados da Morningstar, reduzindo os ativos do fundo de um pico de US$ 292,9 bilhões, registrado em abril de 2013.

Confiança. Em um comunicado ao mercado, o executivo-chefe da Pimco, Douglas Hodge, afirmou que a sua empresa administra quase US$ 2 trilhões em ativos, e que está confiante de que a grande maioria dos clientes continuará conosco.

Maior acionista da Pimco, a seguradora Allianz disse ontem que permanece no caminho de atingir a meta de lucro operacional em 2014, apesar da surpreendente partida de Gross de sua gestora de ativos. A Allianz, maior seguradora da Europa em termos de receitas, tem como meta para 2014 um lucro operacional de  9,5 bilhões a  10,5 bilhões. Até o momento, a seguradora tem assumido uma contribuição da Pimco para o lucro de  2,5 bilhões a  2,9 bilhões.

Segundo o executivo-chefe da Allianz, Michael Diekmann, ainda é muito cedo para especificar o impacto potencial que a partida de Gross poderia ter sobre os fluxos da Pimco e sobre o lucro. Ele acrescentou que tem “toda a confiança” na equipe de gestão da Pimco. 

Valorização. Enquanto a Pimco viveu a série de saques dos investidores, a rival Janus registrou na sexta-feira uma alta de 43% nas suas ações. “Escolhi a Janus como futura casa em razão do longo relacionamento e do grande respeito que tenho por seu CEO Dick Weil, e do meu desejo de voltar a passar a maior parte do meu dia administrando ativos de clientes”, disse Gross após deixar a gestora que fundou. 

Mas, na visão de alguns analistas, o mercado supervalorizou a ida de Gross para a concorrente. Em relatório, o JPMorgan afirmou que não acredita que a contratação de Bill Gross pela Janus Capital vá atrair ativos suficientes que justifique o salto visto nas ações. “Prevemos que a Janus levantará entre US$ 3 bilhões e US$ 6 bilhões em ativos de renda fixa nos próximos 12 meses. Não prevemos muita coisa em termos de pensões e investimentos imobiliários, diante do histórico limitado e da infraestrutura da Janus em comparação aos da Pimco”, comentou o 
o JPMorgan. 

Na visão do JPMorgan, Gross ajuda a “marca” Janus, mas é o “desempenho que se torna a marca ao longo do tempo”. O fundo que Gross administrava na Pimco, que tinha a liberdade de investir em todos os tipos de bônus mundiais, vinha mostrando uma performance inferior aos equivalentes e é parecido com o fundo que ele vai gerir na Janus. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Tudo o que sabemos sobre:
EMPRESASPIMCOGROSS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.