Paulo Whitaker|Reuters
Paulo Whitaker|Reuters

Com venda da Keystone, Marfrig vai ficar '100% bovina'

Comprada por US$ 1,26 bilhão, empresa é maior fornecedora de carne de frango industrializada para redes de fast-food

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2018 | 05h00

A venda da Keystone, que pertence à brasileira Marfrig, para a gigante americana Tyson Foods vai colocar a companhia do empresário Marcos Molina de novo na rota 100% bovina. Com a transação, concluída por US$ 2,5 bilhões, o frigorífico nacional sai definitivamente do segmento de frango para focar “em bife”, disse ao Estado Eduardo Miron, diretor de finanças da companhia.

Adquirida por quase US$ 1,26 bilhão, em 2010, a Keystone é a maior fornecedora de carne de frango industrializada para redes de fast-food, os nuggets, como a gigante McDonald’s. Com faturamento de US$ 2,8 bilhões em 2017, a Keystone representava 11% da receita global da Marfrig. Além da Tyson, que levou o negócio, o ativo foi cobiçado pela também americana Cargill e a chinesa Cofco.

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Com a venda desse ativo (que inclui unidades produtoras e centros de distribuição na Ásia e Austrália), a companhia brasileira continuará como fornecedora para o McDonald’s e Wendy's, mas só de carne de boi. Na transação, a Marfrig decidiu ficar com uma unidade da Keystone nos EUA, em Ohio (na cidade de North Baltimore), que produz hambúrguer bovino e fatura anualmente US$ 300 milhões por ano.

Miron disse que todo o dinheiro levantado com a venda do negócio será usado para reduzir as pesadas dívidas do grupo – de R$ 16,3 bilhões no segundo trimestre de 2017. A relação dívida liquida/Ebitda vai cair dos atuais 4,2 vezes para abaixo de 2,5 vezes o múltiplo, colocando de volta a empresa em um patamar saudável no mercado.

A companhia não prevê novas aquisições, por ora, mas não descarta no futuro. O grupo anunciou em abril a compra de 51% da National Beef, que a colocou na vice-liderança global de carne bovina, atrás somente da rival JBS, dos irmãos Batista. Miron afirmou que o frigorífico deverá focar na expansão orgânica e deve aproveitar o bom momento do setor de carnes nos Estados Unidos. O foco, diz ele, é crescer no segmento foodservice. “Não vemos a empresa como um grupo de commodities. Vamos trabalhar cada vez mais a nossa marca”, disse Miron.

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A expectativa é encerrar com um faturamento de R$ 40 bilhões em 2018 – esta receita inclui a compra de 51% da National Beef e a saída da Keystone do balanço deste ano. No segundo trimestre, cerca de 70% das vendas da companhia vieram de vendas do grupo nos Estados unidos.

A Marfrig, que tem entre seus principais acionistas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi um dos grupos escolhidos pelo banco de fomento como uma das "campeãs nacionais" no setor de carnes, ao lado de outros frigoríficos, como JBS, Bertin e Independência. O BNDES injetou mais de R$ 4 bilhões na companhia. Nos últimos anos, Marcos Molina, chegou a vender outros ativos – entre eles, o frigorífico Moy Park (para a JBS), para reduzir dívidas.

Não há intenção do grupo de mudar a estrutura societária nem transferir a sede da companhia para fora do País, como chegou a ser cogitado pelo rival no passado.

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