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Com venda da Rosário, BTG dá novo passo em ‘desmonte’ da Brasil Pharma

Vendida à Profarma por R$ 123 milhões, rede do Centro-Oeste já enfrentava sérios problemas de desabastecimento; criada para ser a grande consolidadora do setor, Brasil Pharma tem agora apenas três ativos

Dayanne Sousa Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2016 | 05h00

A Brasil Pharma, empresa do banco BTG Pactual no setor de farmácias e drogarias, anunciou nesta segunda-feira, 26, a venda de mais um de seus ativos: a rede Rosário, com cerca de 150 lojas nos Estados de Tocantins, Goiás e Mato Grosso, além do Distrito Federal. O negócio foi avaliado em R$ 173 milhões, mas a compradora, a rede Profarma, informou que a operação deve ter um “desconto” de R$ 50 milhões para recomposição dos estoques da rede.

Do valor total do negócio, somente R$ 32 milhões deverão ser pagos à vista. Outros R$ 91 milhões serão pagos após 36 meses, totalizando R$ 123 milhões. A Profarma tem a opção de quitar essa segunda parcela utilizando ações. O Itaú BBA atuou como assessor financeiro da Brasil Pharma na operação.

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Profarma, Max Fischer, a rede vinha sofrendo com problemas de desabastecimento nos últimos meses, com cerca de 50% dos produtos faltando nas prateleiras.

Segundo fontes de mercado, os problemas das bandeiras da Brasil Pharma se agravaram ao longo de 2016. Uma fonte informou que a rede Mais Econômica, vendida no fim de 2015 ao fundo carioca Verti, por R$ 44 milhões, tinha uma “quebra” de estoque bem menor, de cerca de 20%, à época.

Fundada em Brasília, em 1975, a Rosário teve receita de cerca de R$ 650 milhões no ano passado, de acordo com informações do Itaú BBA. O negócio estava nas mãos da empresa do BTG havia seis anos.

Fontes de mercado disseram que, para a Profarma, a compra da Rosário foi um bom negócio. “O ativo vem para complementar a rede atual da empresa, o que deve afastar a possibilidade de problemas com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na aprovação do negócio”, disse uma fonte do setor de drogarias.

Mais conhecida como distribuidora de medicamentos, negócio que representa mais de 90% de suas receitas anuais de cerca de R$ 4 bilhões, a companhia hoje tem 129 lojas, informou o Itaú BBA. Atualmente, administra as bandeiras Drogasmil, Farmalife e Tamoio. Ao incorporar a Rosário, portanto, a Profarma mais do que dobra sua presença no varejo.

Ainda antes dos problemas enfrentados pelo BTG no ano passado, após a prisão de André Esteves, seu ex-presidente, a Brasil Pharma já era considerada um ativo problemático. No fim de 2015, o banco havia anunciado a intenção de colocar mais R$ 600 milhões no negócio. A capitalização acabou sendo menor, de R$ 400 milhões, e foi feita em janeiro.

Com as duas vendas já realizadas, restaram três ativos na carteira da Brasil Pharma. Segundo fontes de mercado, há negociação em curso para a venda do maior deles, a paraense Big Ben (leia mais abaixo).

Troca de comando. No dia do anúncio da venda da Rosário, a Brasil Pharma também divulgou a mudança de seu diretor-presidente. O executivo Paulo Gualtieri renunciou ao cargo e será substituído por Gabriel Monteiro, que já passou pela construtora WTorre e pela consultoria Galeazzi & Associados, conhecida pela gestão e reestruturação de negócios em crise. Procurado, o BTG não comentou a venda da Rosário.

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