Comgás defende desvinculação do preço do gás do preço do petróleo

'Em algum momento, isso deve ser revisto', projetou o diretor de Finanças e Relações com Investidores da companhia

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

28 de abril de 2011 | 17h04

Os executivos da Comgás defenderam, hoje, que o modelo de precificação do gás natural nacional a partir de uma cesta de óleos internacional seja revisto. Atualmente, parte do contrato de gás nacional está vinculada a uma cesta de óleos, ponto que tem levado a Petrobras a ser bastante criticada pelo mercado por estar elevando o custo do insumo no mercado interno. "Em algum momento, isso deve ser revisto", projetou o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Comgás, Roberto Lage, em coletiva de imprensa sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre de 2011.

Na semana passada, a Petrobrás anunciou a aplicação de um desconto de 9,7% sobre o reajuste do preço do gás nacional em 1º de maio, com objetivo de preservar a competitividade do mercado. Se não fosse essa decisão, a companhia teria elevado em quase 10% o valor do insumo vendido às distribuidoras estaduais, em razão do forte aumento da cotação do barril do petróleo este ano por conta da instabilidade política nos países de origem árabe, como a Líbia e o Egito.

Para o diretor vice-presidente e de Mercado de Grandes Consumidores, GNV e Suprimento de Gás da Comgás, Sérgio Luiz da Silva, o término dos contratos de gás nacional em 2013 pode ser uma boa oportunidade para se discutir com a Petrobras uma nova fórmula de precificação para o insumo. As entidades ligadas aos grandes consumidores, como a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), também defendem que o preço do gás no País seja desvinculado do petróleo, usando como referência o próprio gás no mercado internacional.

Nesse contexto, Lage lembrou que o Henry hub, preço spot do gás no mercado dos Estados Unidos, está na faixa de US$ 4 por milhão de BTU atualmente, enquanto o gás nacional supera o valor de US$ 10 por milhão de BTU no Brasil. "É uma diferença muito grande", comentou. 

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