Commodities passarão por teste de confiança em 2012

Segundo o  Barclays Capital, com crise na zona do euro e a ameaça de uma desaceleração na China,  fundos de hedge já reduziram em 50% a exposição em commodities

Camila Moreira, da Agência Estado,

26 de dezembro de 2011 | 18h05

NOVA YORK - As commodities deverão enfrentar um teste de confiança em 2012. Os fatores que sustentaram os preços nos últimos anos - o forte crescimento dos países emergentes aliado à demanda sólida no mundo desenvolvido - estão sob pressão agora da crise da zona do euro e de sinais de uma desaceleração na China.

Os investidores já estão preocupados: fundos de hedge reduziram em 50% a exposição em commodities de maio a dezembro, segundo o Barclays Capital. Serão necessários fortes sinais para renovar a crença em commodities em 2012.

Uma demanda menor da Europa por importações significa uma menor atividade de exportação em países como a China, onde a atividade manufatureira mostra sinais de contração. Por sua vez, o fraco mercado imobiliário da China pode afetar o crescimento da área de construção e, consequentemente, a demanda por metais.

O cenário de risco já deixou sua marca. Os metais industriais recuaram 25% desde o final de julho, e os produtos agrícolas perderam 21% desde o final de agosto. Se a situação macroeconômica piorar, algumas commodities podem ter mais espaço para cair do que outras. O cobre, por exemplo, ainda está 85% acima do valor de produção para os produtores de maior custo da indústria, de acordo com o Barclays Capital. Por outro lado, o preço do alumínio está 22% abaixo do custo marginal da indústria. Isso já está fazendo com que alguns produtores reduzam a oferta, o que significa que o preço do alumínio pode estar perto de seu piso.

Da mesma maneira, qualquer recuo de preço do petróleo pode ser limitado por cortes de fornecimento em países produtores. Governos como os de Arábia Saudita e Rússia precisam de preços sólidos para equilibrar suas posições fiscais. O fator complicador será uma divisão interna na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), onde Arábia Saudita e Irã travam uma disputa pela supremacia regional e todos os membros têm que abrir espaço para uma maior produção de Líbia e Iraque.

Entre as commodities agrícolas, a soja pode se beneficiar se uma área maior for direcionada para a produção de milho. A demanda pode superar a oferta em 1,2%, prevê o J.P. Morgan, primeiro déficit da soja desde 2009.

Fatores imprevisíveis continuarão a afetar commodities individualmente. Uma repetição do frio severo visto no último inverno no hemisfério norte pode elevar os preços dos grãos, carvão e minério de ferro. Greves em duas das maiores minas de cobre do mundo ajudaram a dar sustentação ao metal em 2011. E o petróleo continuará sendo influenciado pela geopolítica e ameaças de guerra.

Mas uma alta mais sustentada das commodities dependerá de uma rápida resolução da crise da zona do euro e de evidências de que a China está conseguindo acalmar sua economia. As esperanças de que tudo isso aconteça alimentam o otimismo dos mais altistas. O Goldman Sachs estima que o petróleo tipo brent fechará 2012 a US$ 127,50 o barril, alta de 18%, e que o cobre terminará a US$ 9.500 a tonelada, ganho de 28%.

As informações são da Dow Jones.

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