Commodities sairão na frente em recuperação econômica--analista

O pior da crise econômica global já passou e os mercados de commodities serão os vencedores em uma recuperação, com a área agrícola considerada a mais promissora, disse um dos principais analistas franceses de commodities na terça-feira.

SYBILLE DE LA HAMAIDE, REUTERS

12 de maio de 2009 | 15h22

"Parece hoje que há um vento de otimismo nos mercados, as pessoas acham que a recuperação está aí e, se ela se materializar, os primeiros mercados que vão se beneficiar serão os de commodities", disse Philippe Chalmin, que chefia um anuário de commodities chamado CyclOpe.

Chalmin, cujo anuário analisa setores como metais, energia, grãos, carnes ou vinho, destacou a recente recuperação dos preços do petróleo, dos metais não ferrosos e dos grãos, principalmente a soja, como potenciais sinais de uma recuperação.

"Pode-se ver uma recuperação similar nos mercados acionários, mas nesses mercados pode ir um pouco além porque eles serão sensíveis aos primeiros sinais de um retorno da demanda", disse ele.

Os preços das commodities perderam cerca de dois terços de seu valor no último ano, em meio à contração econômica global e após as altas registradas no ano anterior devido ao aumento da demanda global combinada com estoques apertados.

Os mercados mais promissores para 2009 são grãos e açúcar, que vão se beneficiar não apenas de uma recuperação na economia, mas também de uma esperada queda na oferta e da contínua alta da demanda por alimentos que pode ser amplificada se surgir um problema climático, disse Chalmin.

"O que quer que aconteça, acho que podemos esperar para os produtos agrícolas uma recuperação nos preços que pode ser a primeira a acontecer", disse Chalmin, destacando que a demanda por alimentos será um dos primeiros setores a se recuperar depois que a crise enfraquecer.

GRÃOS E AÇÚCAR

O economista, professor da Universidade Paris Dauphine, estima que os futuros do milho na bolsa de Chicago, referência mundial, subirão 12 por cento na média neste ano contra 2008, impulsionados pela alta demanda do etanol dos EUA. Já o trigo nos Estados Unidos ficaria estável.

Os preços do açúcar, que ganharam quase 20 por cento no ano passado, devem subir outros 23 por cento na média em 2009.

"A produção de 2008/09 parece estar em forte déficit, o que pode fazer do açúcar a 'estrela' de 2009", diz o relatório.

A soja, que saltou 15 por cento desde o início do ano, deve continuar subindo devido aos problemas climáticos na Argentina e à forte demanda chinesa.

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