Como ganhar milhões de dólares vendendo limonada

Garota americana de dez anos que ficou famosa com a venda de limonada para combater a escravidão infantil busca investidores para um aplicativo de doações

Steven Davidoff Solomon, The New York Times

08 de outubro de 2014 | 15h51

 

 

Cheguei à conferência em Techmanity, no Vale do Silício, tarde demais para ver o ator Jared Leto falar sobre empreendedorismo e cedo demais para o concerto dos Weezer, naquela mesma. Mas não teve problema. Tinha vindo para assistir a uma garotinha de dez anos com um vestido de princesa falar sobre como levantar milhões de dólares em capital de risco.

Afinal, este é o Vale do Silício, onde a paródia de Mike Judge, intitulada Silicon Valley, transmitida pela televisão a cabo, parece tão real quanto a própria realidade. Não surpreende portanto que a garota, Vivienne Harr, tenha atraído investidores como Biz Stone e Jack Dorsey, os cofundadores do Twitter, e que, mais tarde, Stone tenha subido no palco para ficar ao lado de Vivienne. Eu queria descobrir o que ela estava fazendo desde que descrevi sua odisseia pouco menos de um ano antes.

Vivienne se tornou famosa tocando o sino na Bolsa de Nova York, em novembro do ano passado, quando o Twitter abriu seu capital. Vivienne foi distinguida com esta honra pelo Twitter por causa de sua banca de limonada.

A sua não era uma banca comum: é que Vivienne montou a banca para acabar com a escravidão infantil, e prometeu vender limonada durante um ano ou até levantar US$ 100 mil. Como esta é uma história do Vale do Silício, já no 14º dia ela se tornou uma sensação da Internet. Vivienne e sua família moravam na San Francisco Bay Area, e Eric Harr, seu pai, era um profissional de relações públicas da mídia social, na época. Ele fez um excelente trabalho.

A maioria das pessoas teria desistido depois de levantar algumas centenas de dólares para combater a escravidão infantil. Mas Eric Harr e Vivienne fundaram a Make a Stand (Tome uma atitude), uma empresa de limonada orgânica vendida em feiras comerciais. A ideia era inserir a empresa na nova safra de empresas beneficentes para fins lucrativos, como a REI, cuja finalidade é destinar parte dos lucros a uma missão social.

A missão Make a Stand seria acabar com a escravidão infantil. Ela doaria 5% de seu faturamento a várias entidades beneficentes para pôr um fim a este horror. Vivienne e seu pai levantaram cerca de US$ 1 milhão para financiar o negócio, e Harr deixou seu emprego.

Esta era a situação um ano atrás, quando Vivienne tocou o sino.

Um ano mais tarde, tudo mudou. Foi lançado um livro para crianças, bem como uma variedade de novos sabores de limonada, Vivienne falou no LinkedIn e no Twitter e logo mais falará com o Dalai Lama.

Mas, como disse o pai: “Este negócio de limonada é complicado”. Ele teve de organizar toda a iniciativa a partir do zero, descobrir onde conseguir as garrafas, os limões orgânicos e o açúcar. E teve ainda o difícil trabalho de encontrar quem distribuísse o produto num mercado competitivo.

Mas pai e filha partiram da limonada e aproveitaram a onda dos aplicativos em celulares, porque afinal, aqui é o Vale do Silício. O aplicativo também se chama Make a Stand, e permite que as pessoas promovam uma campanha para levantar recursos coletivamente visando fins beneficentes em apenas um minuto. É só escolher a entidade, postar uma imagem e enviá-la aos amigos pelo Twitter, pelo Facebook e outras mídias sociais. A Make a Stand serve de intermediária, e fica com 4,9% da doação como honorário.


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