Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Companhias ‘tech’ crescem durante a pandemia e abrem novos escritórios

Startups estão contratando e, na contramão do mercado, buscam espaços novos, dando alívio às empresas de lajes corporativas

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2021 | 05h00

A pandemia de covid-19 foi um baque para o mercado de escritórios em São Paulo – maior centro corporativo do País. No fim de junho, um quarto dos prédios comerciais estava sem locatário. No entanto, um alento surgiu nesse cenário difícil: empresas ligadas à tecnologia, muitas delas capitalizadas após rechear o caixa com rodadas de investimento ou aberturas de capital, estão em busca de mais espaço. Mesmo com o home office, algumas dessas companhias têm contratado tanta gente que estão precisando de escritórios novos – de preferência, nos melhores e mais caros endereços da capital paulista.

No momento, a PagSeguro, a Kavak, a Stone e a chinesa Shopee, entre outras, estão em busca de novos espaços, apurou o Estadão. Dentro dessa tendência, um movimento que agitou o mercado imobiliário veio do Facebook: o aluguel de um espaço de 20 mil metros quadrados em um novo prédio na Faria Lima – apesar de a empresa estar hoje em regime 100% remoto. 

Além das empresas 100% “tech”, companhias mais tradicionais da indústria, como a Saint- Gobain, segundo fontes, estão buscando ampliar seus espaços para regiões mais centrais. No caso da multinacional francesa, isso reflete a expansão da área de inovação.

“Muitas empresas de tecnologia cresceram muito, e houve um aquecimento da busca por escritórios”, diz Mariana Hananina, diretora de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark, consultoria especializada no setor corporativo. Esse movimento começou há 18 meses e continua até hoje. Na maior parte dos casos, essa procura por novos espaços se refere a uma demanda futura – uma vez que, por enquanto, o trabalho remoto domina as rotinas das grandes companhias.

Entre os exemplos de empresas de forte crescimento buscando escritórios está a 1m2, uma plataforma de venda de loteamentos. Aproveitando-se de um espaço que ficou vago próximo ao local onde mantinha seus escritórios, a startup decidiu mudar de endereço e ampliar seu espaço. “Crescemos em 50% o número de funcionários. Percebemos uma vacância muito grande e detectamos uma oportunidade”, diz o presidente da 1m2, Rodrigo Gordinho. A empresa espera encerrar este ano com um crescimento de vendas de 200%.

Apesar desse aquecimento entre empresas de tecnologia, os números do mercado imobiliário corporativo ainda mostram um elevado índice de vacância. Isso é reflexo da pandemia e também do aumento de lançamentos em São Paulo.

Segundo dados da Newmark, a taxa de espaços vazios na capital paulista atingiu 25,1% no fim de junho no mercado de prédios de alto padrão. No entanto, uma análise mostra um desempenho desigual entre as regiões. No Itaim, só há 1,4% de espaço livre. Na Faria Lima, a oferta está em cerca de 15%. Na contramão, a área próxima à Chucri Zaidan, na zona sul, tem mais de 35% de vacância.

Recorde de entregas

O que chama a atenção, diz a presidente da Newmark, Marina Cury, é que neste ano muitas outras obras serão entregues, chegando a um volume de aproximadamente 250 mil metros quadrados em lançamentos de lajes corporativas – um recorde. Ela lembra que essas decisões de investimento, que se refletem em novos edifícios entregues hoje, foram tomadas cinco anos atrás. Por isso, o toque continuará subindo nos próximos anos: serão 63 mil m² em 2022 e mais 66 mil m² em 2023.

Segundo Caio Castro, sócio da gestora de fundos imobiliários RBR, que tem uma série de edifícios corporativos no portfólio, o mercado imobiliário tem passado, em um ano de pandemia, por situações distintas. Regiões como Faria Lima, Paulista e Pinheiros estão com o índice de vacância mais baixo – o que tem ajudado a manter o preço dos aluguéis em alta.

Já em outras áreas, caso da região da Chucri Zaidan e da Berrini, passam por um movimento oposto, principalmente por estarem longe de estações do metrô, segundo Castro. Para as empresas de tecnologia, a localização se tornou um trunfo na hora da contratação. O especialista afirma que, em áreas consideradas melhores, o funcionário se mostra mais disposto a abandonar o home office e voltar ao regime presencial.

A diretora na divisão de Escritórios da JLL, Yara Matsuyama, afirma que, apesar de a taxa de ocupação no segundo trimestre ter crescido em relação ao período anterior, o índice de absorção também cresceu, mostrando que houve um maior movimento de empresas montando ou ampliando escritórios.

“Agora vemos no horizonte uma vacinação em massa, e isso faz com que as empresas comecem a considerar um retorno”, afirma. Dentre os destaques, ela confirma a maior busca das empresas de tecnologia por espaços. Muitas startups têm procurado escritórios na região de Pinheiros, bairro que já atraiu a fintech Nubank, por exemplo.

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