Compra da Xstrata falha, mas Vale deixa 'porta aberta'

Sem conseguir um acordo para comprara mineradora Xstrata, a Vale anunciou nesta terça-feira queencerrou as negociações para a aquisição da companhiaanglo-suíça. Mas a gigante brasileira sinalizou que pode fazernova tentativa mais para frente. "Não é bom nem para eles nem para nós ficar com a operaçãoem suspenso", disse a jornalistas o presidente da Vale, RogerAgnelli, após a divulgação do anúncio da empresa. "Por ora,está bom do jeito que está. Quando tiver que retomar, a portaestá aberta." Agnelli negou que o fim das negociações tenha sido motivadopor problemas de financiamento para a operação. Segundo ele, aquestão central foi a comercialização do minério. "Nós não estamos precisando comprar e eles não estãoprecisando vender", resumiu. Ele ressaltou que a Vale conversacom outras empresas e tem interesse em companhias nas áreas decobre e carvão. No comunicado que anunciou o fim das negociações, a Valedisse avaliar que sua oferta pela Xstrata "criaria considerávelvalor para os acionistas de ambas empresas", o que foi repetidopela companhia anglo-suíça. "Embora a Vale e a Xstrata continuem a acreditar que acombinação das duas companhias poderia representar um valorsignificativo a seus acionistas, nós não fomos capazes dealcançar um acordo. Decidimos mutuamente, portanto, encerrar asdiscussões", afirmou o presidente-executivo da Xstrata, MickDavis, em uma nota. A Vale havia feito uma oferta para adquirir 100 por centoda Xstrata, e o pagamento seria feito em dinheiro e ações. Além da declaração de Agnelli, a sinalização de umapossível nova investida aparece também no comunicado divulgadopela Vale. A mineradora afirmou que dentro da Regra 2.8 do City Codeon Takeovers and Mergers, do Reino Unido, reserva-se "o direitode anunciar uma oferta ou possível oferta, ou ainda fazer ouparticipar de uma oferta ou possível oferta pela Xstrata",dentro de algumas condições, caso haja recomendação positiva ouacordo com o Conselho de Administração da Xstrata. Isso poderia ocorrer dentro do prazo de seis meses. A Vale afirmou ainda no comunicado que se reserva o direitode fazer uma proposta caso haja um anúncio de "possível ofertaou firme intenção de uma oferta por terceiros pela Xstrata ou aXstrata anuncie que recebeu uma proposta ou foi consultada poruma terceira parte para uma possível proposta". O direito de realizar uma oferta também valeria se aXstrata anunciar "uma operação reversa de compra (reversetakeover) ou uma operação whitewash, dentro da Regra 9 do CityCode; ou caso haja uma mudança material nas atuaiscircunstâncias". SEM CONCESSÕES Mais cedo, em outro evento, Agnelli já havia afirmado que anegociação estava difícil de ser finalizada porque as duasempresas não queriam abrir mão de algumas questões queconsideram fundamentais, como o direito de comercializaçãosobre os produtos. "A Xstrata é uma tremenda empresa gerida por um grandeprofissional que é o Mike Davis, a Glencore é uma grandetrading gerida por um cara muito especial, que é o Ivan(Glasenberg), eles não gostam de ceder em nada. Eu não sou tãobrilhante assim, mas também não gosto de ceder...", disseAgnelli. A Glencore é a principal acionista da Xstrata . Para Cristiane Viana, analista de mineração da ÁgoraCorretora, o fracasso do negócio se deveu a questõesespecíficas e não representa uma tendência. "O acordo basicamente falhou devido a irreconciliáveisdiferenças entre a principal acionista da Xstrata, a Glencore,e a Vale sobre os direitos de comercialização dos metais dascompanhias", disse a analista. "Não vejo o fracasso da compracomo um indicativo de uma tendência mais ampla, como o fim daconsolidação no setor." (Reportagem adicional de Aluísio Alves e Reese Ewing; textode Alexandre Caverni)

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