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Compra de corvetas para a Marinha deve ser definida ainda este mês

Investimento em renovação da frota será de até US$ 2 bilhões; quatro consórcios disputam o contrato

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2019 | 04h00

As negociações do contrato de aquisição de quatro novas corvetas para a Marinha, um investimento estimado entre US$ 1,6 bilhão e US$ 2 bilhões, serão encerradas até o fim do mês. A entrega das ofertas dos quatro consórcios candidatos finalistas à encomenda está marcada para esta sexta-feira, 8, em Brasília. O anúncio do ganhador deve ocorrer nas próximas duas semanas.

Já houve dois adiamentos no processo. Segundo a Força, ambos em razão do “refinamento das propostas”. O projeto de construção dos navios da nova classe Tamandaré, de 2,7 mil toneladas, resgata parcialmente um  programa mais amplo de reequipamento da frota. O pacote de 2010, duramente prejudicado pela crise econômica, abrangia 11 unidades de diferentes tipos ao custo estimado  de US$ 6 bilhões.

O programa das corvetas Tamandaré, que tomam como referência a mais antiga V-34 Barroso – lançada em 2008, projetada e construída no Brasil –, é avançado. Tem grande carga digital, com sistemas e armamento de última geração.

Segundo engenheiros navais ouvidos pelo Estado, com pouco mais de cem  metros e considerável poder de fogo, “o navio pode ser definido como uma minifragata, embora com restrições de autonomia e conforto”. Ainda assim, são os menores modelos de escolta e ataque entre todas as categorias navais.

A Marinha do Brasil  tem  planos de  comprar até 12 embarcações no prazo longo. A primeira entrega está prevista para 2022; a última, para três anos depois, em 2025. Todos os grupos internacionais concorrentes estão associados a empresas nacionais. O consórcio empresarial selecionado terá de fabricar as corvetas no País, junto com parceiros locais, garantindo transferência de tecnologia.

No Brasil, o setor naval atravessa uma profunda crise. Dos 40 complexos industriais existentes, apenas 12 se mantêm ativos. As demissões nos quadros de funcionários atingiram 50 mil vagas em 2018.

Consórcios concorrentes

Águas Azuis: Atech Negócios em Tecnologias S.A, Embraer S.A. e Thyssenkrupp Marine Systems GmbH (TKMS). Empresas subcontratadas: Ares Aeroespacial e Defesa S.A, Fundação Ezute, Oceana Estaleiro S.A, Omnisys Engenharia Ltda, SKM Eletro Eletrônica Ltda e Weg Equipamentos Elétricos S.A.

Damen Saab: Tamandaré – Damen Schelde Naval Shipbuilding B.V e SAAB AB. Empresas subcontratadas: Consub Defesa e Tecnologia S.A, WEG Equipamentos Elétricos S.A, e Wilson Sons Estaleiros Ltda.

Consórcio FLV: Ficantieri S.p.A, Leonardo S.p.A (ambas da Itália) e VARD Promar S.A. Empresas subcontratadas: Fundação Ezute e Ares Aeroespacial e Defesa S.A.

Consórcio Villegagnon: Naval Group, Enseada Indústria Naval, Mectron e Odebrecht Engenharia e Construção.

País pode renovar frota para Antártida

A Marinha está negociando a compra de mais um navio polar para atuar na Antártida. O plano é, dentro de cinco a sete anos, ter uma nova embarcação para substituir o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel, que já tem 38 anos e vem sendo usado nas operações no continente desde 1994.

Há duas semanas, foi publicado no ‘Diário Oficial’ da União um aviso de chamamento público para empresas interessadas em fornecer o novo navio. /COM LUCIANA GARBIN

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