Piroschka van de Wouw/ Reuters
Piroschka van de Wouw/ Reuters

Conar determina que Unilever mude propaganda sobre aspectos sustentáveis de Omo

Órgão de autorregulamentação publicitária recomenda alterações em campanha na qual empresa se apresentava como “imbatível” em cuidado com o meio ambiente, pois maior parte das vantagens são comuns à concorrência

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2021 | 15h09

O Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou, por unanimidade, em reunião realizada na semana passada, que a multinacional Unilever altere uma propaganda do sabão em pó Omo, cujo mote é “Somos Biodegradáveis, Somos Recicláveis”, por apresentar como diferenciais características que são comuns ao restante do mercado. A denúncia cita “greenwashing”, termo usado para quando empresas tentam se apropriar de questões de sustentabilidade de forma enganosa.

Segundo a decisão do Conar, a que o Estadão teve acesso, derivada de uma reclamação de um concorrente direto de Omo no mercado, o problema se concentra em duas questões principais do anúncio: promessas em relação à formulação totalmente “sustentável” do produto e também em relação à reciclagem de embalagens.

A primeira diz respeito ao fato de a empresa reforçar que seu produto é biodegradável. Nesse quesito, o órgão apontou que a empresa deve evitar o argumento “Somos Biodegradáveis”, para evitar “confundir consumidores quanto à totalidade da biodegradabilidade”. A decisão aponta, também, que a garantia de que determinados princípios ativos sejam biodegradáveis são parte de regulação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, portanto, aplicável a todos os produtos do gênero.

Por essa razão, o Conar determinou que a Unilever retire do anúncio o trecho no qual se refere a Omo como “imbatível” no cuidado com o meio ambiente – pois boa parte do benefício que ele traz é comum a outros produtos. “As menções não devem apresentar promessas e acepções absolutas de que nenhuma melhoria poderia ser feita para redução dos impactos ambientais”, diz o Conar na decisão.

Outra questão, no que se refere à embalagem, discute o fato de o material usado ser “reciclável”, mas não “reciclado”. No despacho, o Conar lembra que a embalagem usada pela marca da Unilever não parece ser diferente da que a restante do mercado utiliza, além de ser a mesma que Omo adota há tempos – não existindo, neste caso, novidade a ser apresentada ao cliente. 

Outro lado

Em comunicado, a Unilever afirmou que usa “embalagens feitas de plástico reciclado e 100% recicláveis”. Questionada posteriormente sobre a reportagem, a companhia esclareceu que somente parte da composição de seus vasilhames são feitas de plástico reciclado – sem especificar a proporção do material reaproveitado. Em relação ao fato de Omo não ser 100% biodegradável, o comunicado da Unilever afirma que a fórmula inclui “100% de ativos biodegradáveis”.

Também depois de questionada pela reportagem, a Unilever informou que vai fazer alterações na propaganda. A companhia também afirmou que informações específicas sobre o apelo sustentável de seus produtos estão em seu site.

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