Concentração no setor de supermercados sobe em 2010

A concentração das vendas entre as maiores empresas do setor de supermercados aumentou em 2010. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as três maiores redes (Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart) responderam por 43% do faturamento do setor, frente a 40% de 2009 e 38% de 2008. Já considerando as cinco maiores redes, o que inclui a GBarbosa e o Zaffari, a fatia atinge 46%, ante 43% de 2009 e 41% de 2008. "A concentração foi impulsionada pelas aquisições dos maiores grupos", disse o presidente da Abras, Sussumu Honda.

RODRIGO PETRY, Agencia Estado

28 de abril de 2011 | 17h44

A liderança em termos de faturamento do setor pertenceu ao Grupo Pão de Açúcar, cujas vendas brutas somaram R$ 36,144 bilhões no ano passado, garantindo uma participação de 17,9% entre as vendas do setor. Neste caso, a receita da companhia cresceu pela associação com a Casas Bahia e a aquisição do Ponto Frio, que ocorreram em 2009, além da expansão das vendas. No ano passado, o varejista incluiu apenas os resultados de novembro e dezembro da Casas Bahia. O ranking da Abras considera todas as bandeiras do Pão de Açúcar, mesmo as que vendem bens duráveis.

Na segunda colocação ficou o Carrefour, com receita bruta de R$ 29 bilhões em 2010, representando 14,4% do setor. Já o Walmart concentrou 11,1% do faturamento do setor no ano passado, com R$ 22,334 bilhões. A rede GBarbosa, controlada pelos chilenos da Cencosud, fez duas aquisições em 2010: em abril, adquiriu a rede baiana Perini e, em outubro, a mineira Bretas (em 2009, a sétima maior do País). Dessa forma, a GBarbosa elevou sua fatia para 1,7%. Na sequência vem a rede Zaffari, com 1,2% do mercado.

Segundo Honda, embora a concentração tenha avançado, ainda está longe da que ocorre nos países da Europa, onde entre 70% e 80% das vendas estão entre as cinco maiores redes. "Temos uma concentração muito próxima à dos Estados Unidos", afirmou. Quando consideradas as 50 maiores redes do País, a concentração das vendas no ano passado foi de 64%.

Perdas

A Abras constatou que o nível de perdas dos supermercados, medido em relação ao faturamento, recuou no ano passado. Em 2010, o porcentual ficou em 1,6%, ante 1,8% de 2009 e 2,1% de 2008.

Previsão

O faturamento dos supermercados deverá sofrer um processo de leve aceleração nos próximos meses, segundo o presidente da Abras. O ritmo de crescimento das vendas dos supermercados vem desacelerando desde o segundo semestre do ano passado, paralelamente à alta dos preços dos alimentos. Em 2010, as vendas reais dos supermercados aumentaram 4,2%, enquanto no acumulado do primeiro trimestre a expansão é de 2,79%.

"O emprego e a renda continuam crescendo, mesmo que numa velocidade inferior a 2010. Isso vai continuar puxando as vendas nos supermercados, mas com uma demanda menos aquecida", disse Sussumu Honda. Segundo ele, alguns fatores devem acelerar o faturamento daqui para frente, como a estabilidade nos preços dos alimentos (o preço dos produtos mais vendidos recuou 0,43% em março ante fevereiro) e a alta dos juros, que tende a elevar a venda de alimentos em detrimento de bens duráveis.

Honda afirmou ainda que, em abril, o faturamento dos supermercados será impactado positivamente pelas vendas de Páscoa. "A Páscoa foi muito boa e deve superar nossas expectativas." A estimativa da Abras para o crescimento das vendas de itens relacionados à data é de 10%.

O presidente da Abras disse que, após a inflação dos alimentos nos últimos meses do ano passado, que desacelerou o ritmo de crescimento das vendas nos supermercados, neste início de 2011 são os preços dos serviços que vêm reduzindo o poder de compra dos consumidores. "Isso já se refletiu na queda do volume", salientou.

Conforme levantamento da Nielsen, encomendado pela Abras, sobre o volume de produtos vendidos nos supermercados, o primeiro bimestre registrou uma alta de 4,7%, porcentual inferior ao registrado no ano passado - quando as vendas subiram 6,7%. "Nossa expectativa é de um crescimento de 4% do faturamento real e do volume das vendas este ano", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.