Confiança do consumidor cai 3,4% em setembro

Este é o segundo mês consecutivo que o consumidor apresenta sinais de pessimismo 

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

27 de setembro de 2011 | 08h23

Pelo segundo mês consecutivo, o consumidor apresentou sinais de pessimismo. É o que revelou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ao divulgar o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que mostrou recuo de 3,4% em setembro contra agosto, após cair 4,6% no mês passado. O ICC, calculado dentro de escala até 200 pontos (quando mais próximo de 200, maior o nível de confiança do consumidor), desacelerou de 118,7 pontos em agosto para 114,7 pontos em setembro. Este foi o menor nível desde março de 2010 (111,6 pontos).

A nova queda do ICC reflete diminuição da satisfação com o momento presente da economia; e aumento do pessimismo em relação aos próximos meses. O Índice da Situação Atual (ISA), um dos dois sub-indicadores componentes do ICC, caiu 4,1% em setembro, após cair 2,9% em agosto, e recuou de 140,4 pontos para 134,6 pontos, o menor desde julho de 2010 (134 pontos). O Índice de Expectativas (IE) caiu 2,9% em setembro, em comparação com a queda de 4,5% em agosto, e passou de 107,3 pontos para 104,2 pontos, o menor desde maio deste ano (103,8 pontos).

Na comparação com setembro do ano passado, o ICC caiu 6,7% este mês. Em agosto, o indicador caiu de forma menos intensa, com recuo de 2,6% ante igual mês no ano passado.

Ambiente atual

A desconfiança do consumidor quanto ao ambiente atual da economia brasileira foi o principal motivo apontado pela FGV para explicar o recuo de 3,4% no ICC em setembro contra agosto.

Segundo a fundação, a parcela dos entrevistados para cálculo do ICC que avaliam o momento presente da economia como bom caiu de 27,6% para 20,7% de agosto para setembro. Já a fatia dos que classificam como ruim subiu 20,5% para 21,2%, no mesmo período.

Os consumidores também estão mais pessimistas quanto ao futuro de sua própria situação financeira. A fatia de entrevistados que apostam em melhora no orçamento familiar para os próximos caiu de 33,7% para 28,7% de agosto para setembro. Já a fatia dos que esperam piora também diminuiu, mas em menor magnitude: de 4,7% para 3,5%, no mesmo período.

O levantamento abrange amostra de mais de 2.000 domicílios, em sete capitais, com entrevistas realizadas entre os dias 1 e 22 de setembro.

São Paulo

A piora do noticiário sobre a crise internacional, aliada à menor perspectiva de emprego e ao aumento das expectativas inflacionárias, explicam a queda de 3,4% do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em setembro ante agosto. Entre as capitais, São Paulo foi um dos destaques negativos. Na capital paulista o ICC mostrou queda mais forte que a média, com recuo de 4% em setembro frente à agosto, o mais intenso entre as sete capitais pesquisadas.

"Se eu fosse resumir qual perfil de consumidor compôs esta queda de setembro, eu diria que este seria homem; morador de São Paulo, e com renda mais elevada", afirmou a economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Viviane Seda. Para ela, este perfil também pode ser exemplificado na evolução do ICC por faixas de renda. Nas famílias com renda mensal superior à R$ 9.600 houve a queda mais intensa do indicador entre as faixas pesquisadas, com recuo de 4,7% em setembro contra agosto.

A especialista da FGV lembrou que há nítida desaceleração no ritmo de abertura de novas vagas no mercado de trabalho. Isso, na prática, torna o consumidor mais cauteloso. "Estamos percebendo isso principalmente na indústria. Por isso a cidade de São Paulo também tem sido muito afetada, pois é o parque fabril do País", lembrou Viviane.

Além disso, a perspectiva de avanço da inflação também inibe novas compras. "Este mês, o impacto da crise financeira internacional na economia brasileira também tem sido mais noticiado, e isso influenciou a Bolsa de Valores. Ou seja, isso também derrubou o humor do consumidor, principalmente aquele de renda mais elevada, que aplica na Bolsa", afirmou Viviane Seda.

Neste cenário, as expectativas financeiras familiares do consumidor em setembro foram as mais pessimistas desde maio de 2009, quando a economia brasileira ainda se recuperava dos efeitos negativos da crise global iniciada em 2008. "As expectativas se deterioram. O consumidor, antes cauteloso, torna-se agora pessimista quanto ao futuro", afirmou.

Isso pode se refletir nas próximas apurações do indicador. Viviane observou que os fatores que conduziram à queda do ICC em setembro não são de rápida resolução. Portanto, as mesmas influências negativas que derrubaram o índice este mês podem afetar o ICC de outubro. "Não é uma situação que consideremos natural, normal para este período. Normalmente as expectativas começam a melhorar para o final do ano. Pode ser que o consumidor continue com uma tendência negativa no próximo me", admitiu.

Política monetária

A pesquisa da FGV mostra ainda que o consumidor mostrou-se "confuso" quanto à condução de política monetária no País em setembro. Segundo a economista Viviane Seda, o levantamento mostrou que o consumidor espera novas quedas de juros, mesmo com a perspectiva de avanço inflacionário.

De agosto para setembro, a parcela de entrevistados dentro do universo de 2.000 domicílios pesquisados que estimam novos recuos na taxa básica de juros (Selic) subiu de 7,6% para 22,2%. Ao mesmo tempo, subiu de 6,7% para 6,9% a projeção do consumidor para a inflação em 12 meses, no mesmo período. "Isso é impressionante porque realmente mostra o quanto há dúvidas na condução de política monetária. O porcentual de entrevistados que aposta em novas quedas de juros subiu muito rapidamente, mesmo em um cenário em que se aposta em inflação mais elevada. Isso realmente chamou nossa atenção", afirmou Viviane.

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