Confiança do empresário industrial atinge menor nível do ano, diz CNI

Nível de Utilização da Capacidade Instalada na Indústria amentou de 48,9 pontos em outubro para 50,4 pontos em novembro

Eduardo Rodrigues, Francisco Carlos de Assis e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2010 | 11h23

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) de dezembro caiude 62 em novembro para de 61,5 pontos e registrou o menor nível do ano, segundo a sondagem divulgada há pouco pela Confederação Nacional da Indústria(CNI). Oindicador neste mês manteve a tendência de queda e ficou 7,2 pontosabaixo da marca de 68,7 pontos registrada em janeiro. O número exibidoem dezembro, contudo, está acima da média histórica de 59,6 pontos. Osvalores do ICEI oscilam de 0 a 100 pontos e quando fica acima de 50pontos mostra que os dirigentes de companhias estão confiantes.

O indicador refere-se à avaliação das empresas do setormanufatureiro sobre o desempenho da economia e o que esperam para onível de atividade nacional para os próximos seis meses. O levantamentofoi feito com 2.025 empresas entre os dias 29 de novembro e 15 dedezembro.

De acordo com a CNI, o índice caiu em 16 dos 26 segmentosindustriais pesquisados. As maiores retrações foram registradas nosseguintes setores: outros equipamentos de transportes, de 70,7 pontos emnovembro para 62,4 pontos em dezembro; vestuário e acessórios, de 63,1para 59,2 pontos no período; calçados, de 62,1 para 60,5 pontos e papel ecelulose, de 61,7 para 58,9 pontos.

O ICEI apontou que subiu mais de dois pontos os índicesrelativo às indústrias de máquinas e materiais elétricos, de 57,1 pontosem novembro para 59,3 pontos em dezembro, equipamentos hospitalares ede precisão, de 59,2 para 61,8 pontos no período, e metalurgia básica,de 53,4 para 57,8 pontos,

De acordo com a pesquisa, os dirigentes das indústrias estãomenos confiantes com o desempenho da economia e de suas empresas nofuturo próximo. O indicador de expectativas para os próximos seis mesesatingiu 64,4 pontos em dezembro, abaixo dos 65,1 pontos apurados emnovembro e bem menor que os 71,8 pontos exibidos em janeiro de 2010.Esse índice é desagregado em dois itens: a perspectiva em relação àeconomia brasileira no próximo semestre, que baixou de 61,3 pontos emnovembro para 60,7 pontos neste mês. Outro tópico refere-se àsexpectativas sobre o desempenho da empresa do próprio industrial nospróximos seis meses, que  recuou de 66,9 para 66,4 pontos no período.

O índice de condições atuais exibiu uma leve queda de 55,9pontos em novembro para 55,8 pontos em dezembro, número inferior aos62,7 pontos apurados em janeiro de 2010. Segundo a pesquisa da CNI, oindicador relativo ao desempenho da economia doméstica em comparação aosúltimos seis meses caiu de 55,1 pontos em novembro para 54,3 pontos emdezembro. No caso da avaliação do industrial sobre os resultados de suacompanhia em relação aos seis meses anteriores, o índice subiu de 56,3pontos para 56,7 pontos no bimestre.

Em sintonia com o desempenho da produção industrial, que apresentou leve recuo em novembro, as expectativas do empresariado industrial seguem cada vez menos otimistas, de acordo com a CNI. Em uma escala de 0 a 100 pontos, em que valores acima de 50 pontos significam otimismo, a perspectiva de evolução da demanda em dezembro para os próximos seis meses caiu para 55,2 pontos ante 57 pontos registrados em novembro.

Da mesma forma, os planos para compras de matérias primas recuaram de 54,4 pontos no mês anterior para 53,6 pontos. Ambos os indicadores, apesar de ainda positivos, caíram ao menor patamar desde julho de 2009.

Já em relação às exportações, o indicador de expectativa apresentou leve melhora de 47,7 pontos em novembro para 48,3 em dezembro. Ainda assim, a estimativa do empresariado é de queda no volume embarcado nos próximos seis meses, uma vez que a variável persiste abaixo da linha divisória de 50 pontos.

A Sondagem Industrial foi realizada entre os dias 29 de novembro e 15 de dezembro com 1626 empresas, sendo 914 pequenas, 481 médias e 231 grandes.Construção

O mercado da construção civil encerrou novembro registrando um crescimento acima do usual para este mês, de acordo com a CNI. O índice que mede o grau de satisfação do mercado da construção civil atingiu 54,3 pontos, numa escala de zero a 100. Em outubro, este indicador, também chamado por Nível de Atividade Efetivo em Relação ao Usual, tinha registrado 54,1 pontos.

Para os técnicos da entidade, a boa notícia é que o movimento de alta foi comum a todos os portes de empresas. Para as empresas, o índice em novembro foi de 53,1 pontos ante 50,8 pontos no mês anterior. As de médio porte registraram um índice de 54,3 pontos ante 53,7 em outubro e para as grandes o índice atingiu 55,4 pontos em novembro ante 57,6 pontos em outubro.

Apesar de, nominalmente, o índice das grandes empresas ter mostrado queda em relação a outubro, houve crescimento, pois a escala vai de zero a 100 pontos, a marca de 50 pontos é a que divide o sentimento de pessimismo do de otimismo e a graduação das grandes, mesmo sendo inferior a de outubro, ficou acima de 50 pontos.

A confiança dos empresários do setor da construção civil cresceu em novembro, pelo décimo mês consecutivo. O indicador do nível de atividade do setor situou-se em 53 pontos, superando os 50 pontos registrados no mês anterior.

O índice, que mede o grau de confiança do setor, obedece uma escala de zero a 200 pontos - graduações acima de 50 pontos denotam otimismo e abaixo desta marca, pessimismo. A expansão, de acordo com os técnicos da CNI, deu-se de forma mais intensa entre as grandes empresas, com o indicador batendo na marca dos 56 pontos. As pequenas apresentaram indicador de 50,5 pontos, ou seja, praticamente não cresceram.

Capacidade instalada


O Nível de Utilização da Capacidade Instalada na Indústria (Nuci),efetiva em relação ao usual, aumentou de 48,9 pontos em outubro para50,4 pontos em novembro, de acordo com sondagem divulgada pela CNI. Em uma escala de 0 a 100pontos, em que 50 pontos significa o comum para a utilização do parqueinstalado no período, o resultado indica que a indústria operouligeiramente acima da média histórica para o mês.

De acordo com a entidade, o baixo ritmo de crescimento na produção se reflete no nível de utilização da capacidade que, pelo oitavo mês consecutivo, se manteve próximo ao usual. "O comportamento do setor industrial em novembro revela não haver pressão de demanda na atividade nem excesso de oferta de produtos industriais", afirma o documento.

O indicador de produção em novembro recuou para 52,7 pontos ante ao desempenho de 53,6 pontos do mês anterior, revelando ligeira perda de ritmo na expansão da produção. Além disso, os estoques de produtos finais ficaram praticamente dentro do planejado pelos empresários, com o indicador em 50,2 pontos ante o resultado de 49 pontos em outubro. 

Tudo o que sabemos sobre:
capacidade instaladaindústria

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.