Congresso desonera exportações, mas Mantega diz não haver espaço para cortes

Ministro admite que temporada de cortes de impostos chegou ao fim, diz que governo está lutando para ter um PIB maior e que ‘seria bom se as pessoas ajudassem em vez de atrapalhar’  

Adriana Fernandes, de O Estado de S. Paulo,

17 de julho de 2013 | 23h59

Em busca do cumprimento do esforço fiscal, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi categórico: não há mais espaço orçamentário para nenhum novo corte de impostos. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele avisou que as desonerações, após dois anos e meio figurando como principal mote da política econômica do governo Dilma Rousseff, "pararam".

"Não serão feitas novas desonerações. É isso que não dá para fazer mais. Primeiro, porque as que foram feitas são suficientes. E, segundo, porque não temos espaço fiscal", reconheceu o ministro.

A decisão de congelar as desonerações ocorre no momento em que o Congresso tem ampliado renúncias fiscais, enquanto o governo trabalha para fechar mais um corte de despesas do Orçamento para conseguir cumprir a meta fiscal de economizar 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013.

Segundo Mantega, o governo conseguiu manter sob controle as três principais despesas orçamentárias: previdência, folha de pagamentos dos servidores e pagamento de juros da dívida pública. "Estamos numa trajetória fiscal sólida. E sempre tentando fazer ajuste e cortes que não sejam em investimentos e programas sociais", afirmou.

Otimismo. O ministro deixou claro mais uma vez o otimismo com a economia no segundo semestre, principalmente depois que a inflação desacelerou em junho. Mantega admitiu que a alta da inflação foi o "grande" problema para a economia no primeiros meses do ano, mas se transformou numa "boa noticia" para o segundo semestre. "Vinha caindo nos últimos meses e, agora, está chegando num patamar bastante razoável."

Com a inflação mais baixa, previu Mantega, haverá recomposição do poder aquisitivo do consumidor, aumento do consumo e das vendas do comércio. Esse movimento, associado à recuperação da renda salarial e menor inadimplência, deve garantir uma alta do crédito que ficou contido no primeiro semestre, prejudicando a retomada econômica.

Os bancos, relatou, se preparam para emprestar mais, depois de segurar os financiamentos na primeira metade do ano. Foi essa avaliação que recebeu de banqueiros privados em encontro recente.

A Petrobrás contribuirá com a balança comercial. Mantega, que preside o conselho de administração da estatal, afirmou que a empresa fez ajustes e paradas técnicas que reduziram a produção no primeiro semestre. Com isso, houve aumento das importações e queda nas exportações.

Mas, a partir de agora, segundo ele, a Petrobrás vai paulatinamente aumentar a produção até chegar ao fim do ano com volume bem maior do que começou. "Essa equação se modificará ao longo do segundo semestre, chegando no seu ápice em dezembro."

Crescimento. A combinação desses fatores vai permitir um crescimento do PIB maior, na avaliação do ministro. Pelas suas previsões, a alta do PIB no segundo trimestre de 2013 (ainda não divulgada) foi "muito maior" do que a do mesmo período de 2012.

O ministro disse ser "impossível" o PIB crescer menos que no ano passado - quando houve expansão de 0,9%. "Só o que crescemos no primeiro semestre vai ser semelhante ao que crescemos no ano passado inteiro."

Mantega classificou de "o cúmulo do pessimismo" as avaliações de que a retomada possa se transformar numa espécie de "falso positivo". "O cara acha que as coisas não vão dar certo no segundo semestre, mesmo que tenha sinais de retomada. É o fim da picada!", criticou.

Num desabafo pouco usual ao seu estilo, o ministro afirmou que o governo luta para ter um crescimento maior e "seria bom se as pessoas ajudassem em vez de atrapalhar".

Até o fim do ano, citou como maiores desafios a retomada do crédito e do consumo e as concessões de infraestrutura, capazes de mexer muito com as expectativas, hoje negativas. "Trazem investimentos externos e vão movimentar a economia. Mesmo que o investimento ocorra no ano que vem."

Depois da forte volatilidade no mercado, o ministro avaliou que a mudança no câmbio será favorável para economia. Sem falar em números, ele previu que a taxa de câmbio não voltará ao patamar que estava antes das turbulências, ficando "um pouco mais alta".  

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