Congresso dos EUA aprova acordo para reabrir governo e elevar teto da dívida

Acerto entre republicanos e democratas aprovado horas antes de um possível calote autoriza o governo a realizar gastos até 15 de janeiro

Cláudia Trevisan, Correspondente

16 de outubro de 2013 | 21h09

 

Atualizado às 23h55 

WASHINGTON - O congresso dos Estados Unidos aprovou nesta noite o acordo que evita uma crise de dívida e reabre inteiramente o governo federal, após 16 dias de paralisia. Desenhada horas antes de o Tesouro perder a capacidade de se financiar, a saída é de curto prazo e deverá colocar os temas de novo no centro da agenda política no início de 2014.

"Nós lutamos uma boa luta, mas não vencemos", reconheceu o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner. A proposta foi aprovada por 81 votos a favor e 18 contra no Senado e com um placar de 285 a 144 na Câmara, de maioria republicana.

Encerrada pouco antes das 23h30 (no horário de Brasília), as votações colocaram fim a três semanas de paralisia do governo e incerteza global em relação à capacidade dos Estados Unidos de honrarem seus compromissos.

A grande dúvida agora é se uma crise semelhante vai se repetir no início de 2014, quando vencem os prazos definidos no projeto recém-aprovado.

Assessores da Casa Branca avaliam, contudo, que o dano à imagem do Partido Republicano provocado pela crise encerrada nesta quinta vai impedir que a oposição utilize a mesma tática para promover sua agenda daqui a três ou quatro meses.

Novos prazos. O acordo aprovado no Congresso eleva o limite de endividamento do governo americano até o dia 7 de fevereiro e autoriza a administração a realizar gastos até 15 de janeiro.

Antes disso, um comitê bipartidário tentará fechar uma proposta de longo prazo para reduzir o déficit e a dívida dos Estados Unidos. Os dois indicadores devem cair no curto prazo em razão de cortes automáticos e lineares de despesas que entraram em vigor neste ano - o chamado sequestro -, mas tendem a crescer a partir do fim da década. A maior pressão do lado das despesas virá dos gastos com aposentadorias e benefícios sociais.

Principal alvo da estratégia republicana de negar financiamento ao governo, a reforma da saúde promovida por Barack Obama em 2010 saiu quase ilesa da crise que provocou incerteza dentro e fora do país nas últimas três semanas. A única medida que afeta o programa é a exigência de verificação da renda dos que se habilitarem a receber subsídios do programa, apelidado de "Obamacare".

"É o momento de os republicanos se unirem por outros objetivos cruciais", afirmou o líder do partido no Senado, Mitch McConnell, que negociou o acordo com seu colega democrata, Harry Reid.

Em breve declaração à imprensa na Casa Branca, Obama afirmou que a legislação ajuda a "remover essa nuvem de incerteza e desconforto que paira sobre as empresas e o povo norte-americanos". Ele insistiu que os EUA não podem ficar saindo de uma crise e entrando em outra e manifestou a expectativa de que "na próxima vez o impasse não precise ser resolvido na última hora".

Confronto. O grande confronto entre os dois partidos se dará nos próximo dois meses em torno do projeto de longo prazo para equilibrar as contas públicas. Apesar de reconhecer que é necessário realizar cortes em benefícios sociais e de saúde, os democratas colocam seu foco no aumento da receita, por meio do aumento dos impostos sobre os ricos.

Os republicanos, por sua vez, rejeitam a elevação de tributos e exigem o corte de benefícios sociais.

O prazo para os dois lados chegarem a um acordo vence no dia 13 de dezembro. Se não houver avanço em uma estratégica fiscal de longo prazo, é provável que o teto de endividamento e o financiamento do governo sejam novamente utilizados pelos republicanos como instrumentos para tentar arrancar concessões de Barack Obama, o que levaria à repetição da crise encerrada nesta quinta-feira, que já era uma repetição de confronto semelhante ocorrido em meados de 2011.

(Com infomações do Market News International e da Dow Jones Newswires)

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