Conheça alguns participantes do movimento ‘Ocupar Wall Street’

 Ocupantes da praça Zuccotti já arrecadaram US$ 435 mil em 1 mês de protestos

Mônica Pestana e Hugo Passarelli,

25 de outubro de 2011 | 21h20

Com mais de um mês de ocupação da praça Zuccotti, em Nova York, o movimento Ocupar Wall Street reúne pessoas de diferentes classes sociais, que cada vez mais expressam suas próprias reclamações e preocupações, sem dar ao movimento um objetivo único. Desempregados, ex-hippies, moradores de rua, estudantes e recém-formados são maioria. Alguns estão morando na praça, outros voltam para casa e mantêm uma rotina normal de trabalho, como Lisa Perosi, de 26 anos. Formada em administração, ela trabalha em um supermercado em Nova York, mas passa parte do seu dia no Ocupar Wall Street.

 

"Eu ganho onze dólares por hora e gostaria de ter um trabalho que me permitisse ter o meu próprio apartamento", diz a jovem. "Eu adoraria ver uma nova versão da nossa ideia atual de capitalismo".

 

A assistente social Ronni Endermann, de 37 anos, veio da cidade de Burlington, em Nova Jersey, para ver de perto o protesto. "Eu vejo como uma forma de reclamar, pois me preocupo com a educação que minhas filhas têm acesso, com o seguro de saúde que elas terão ou não no futuro e os direitos básicos que todos nós deveríamos ter acesso". 

Os grupos de trabalho que tentam manter a ordem no acampamento se dividem entre os que fazem comida, limpam o local, falam com imprensa, cuidam do aspecto financeiro, sustentabilidade, entre outros. Até uma biblioteca foi instalada na praça.

 

Os participantes sobrevivem de doações feitas online ou no local do protesto. Segundo os organizadores, até o dia 19 de outubro, as doações chegavam a US$ 435 mil. Turistas visitam o local diariamente e também colaboram colocando dinheiro nas diversas caixinhas de doações espalhadas pela praça. Camisetas e bottons com o nome do movimento são vendidos no local, mas sem um preço estabelecido, cada um paga o quanto quiser.

 

Uma Assembleia Geral é realizada todos os dias, às 19 horas, mas os participantes não são obrigados a comparecer. Formado em letras, o desempregado David Huser, de 35 anos, conta que não sabe ao certo o horário do encontro. Huser não participa de nenhum grupo de trabalho, mas pretende ficar até o fim da ocupação. "O nosso movimento é por uma mudança, uma mudança social, para que as pessoas que têm estudo possam ter um bom trabalho".

 

O Ocupar Wall Street parece ser também uma boa maneira de passar o tempo para recém-formados sem trabalho, como Christine Tyler, de 23 anos.  "Eu tenho tudo aqui. É uma grande comunidade e nós estamos tentando tirar o dinheiro das mãos dos políticos e fazer uma verdadeira democracia onde as pessoas possam fazer suas escolhas".

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