Conheça os gigantes do comércio eletrônico na China

Conheça os gigantes do comércio eletrônico na China

Alibaba tem 190 milhões de usuários ativos via celular em seu sistema de pagamentos online e faz cerca de 45 milhões de transações diárias

Juliana Bassetti, Especial para O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 10h47


PEQUIM - Você pode nunca ter ouvido falar de Taobao, QQ, WeChat, Baidu ou Weibo, mas eles são gigantes da internet na China. O Alipay Wallet, sistema de pagamentos online do grupo chinês Alibaba, completa dois anos em janeiro com 190 milhões de usuários ativos via celular e cerca de 45 milhões de transações diárias.

As plataformas de pagamento do Alibaba realizam mais operações de pagamento online do que a Amazon e o eBay juntos. O diretor-executivo do Alibaba, Jack Ma, já cogitou uma possível parceria entre Alipay e Apple Pay, recém lançado. Ele disse que gostaria de vender produtos americanos e europeus na China, invertendo o fluxo de bens das última décadas. 

Enquanto os brasileiros ainda estão conhecendo o Ebay, agora com versão em português, o consumidor chinês Guo Hao se esforça para lembrar qual foi a última vez que entrou em um estabelecimento comercial: "Acho que foi no Natal do ano passado. Fui ao shopping porque as lojas estavam liquidando produtos. Essa é a única razão para eu não comprar pela internet", explica o rapaz de 24 anos. 

O Taobao é o site de compras online preferidos pelos chineses e faz parte da gama de produtos e serviços do Grupo Alibaba. Criado em 1999, o grupo entrou no mercado de ações em setembro deste ano e está avaliado em 168 bilhões de dólares, valendo mais do que a Amazon e o Facebook.

Taobao. Somente o Taobao foi responsável por 80% das vendas online na China. Um dos principais motivos é a variedade de produtos. "Ali tem de tudo", explica a jornalista Mei Lee, de 33 anos. Outra vantagem é o chat, no qual o comprador tecla com o vendedor em tempo real, esclarecendo dúvidas sobre o produto e a forma de envio. 

Assim como alguns outros sites de venda na China, o consumidor não paga até a entrega da mercadoria. Você recebe e só então dá o comando para que se efetue o pagamento para a loja. O comprador tem ainda sete dias úteis para decidir se quer ou não ficar com o produto. Se não gostar, envia de volta ao vendedor e o dinheiro é devolvido ou na conta do próprio site ou diretamente no cartão de crédito.

Mei Lee tem um filho de dois anos e quase não encontra tempo para ir ao shopping ou lojas de rua. Ela conta que, ao menos três vezes por semana, faz compras em sites de vendas online e já devolveu o produto inúmeras vezes: "Sempre recebi meu dinheiro de volta, é muito seguro", sorri com aprovação.  

Tencent. Outra empresa de tecnologia chinesa que não para de crescer é a Tencent. Ela oferece serviços de entretenimento para internet e celular, como jogos, aplicativos e também e-commerce. É a criadora do aplicativo QQ (pronuncia-se Quiu Quiu), uma plataforma de mensagem instantânea muito semelhante ao Messenger da Microsoft. 

Agora, com a morte anunciada do MSN na China no dia 31 de outubro, o QQ tende a crescer em número de usuários. Mei Lee não gostou da sugestão da Microsoft de trocar o MSN pelo Skype e já migrou para o QQ. Porém, na opinião de Guo Hao, o QQ não deve crescer por muito tempo. Para ele, o aplicativo WeChat (também da Tencent) faz o mesmo papel, só que "muito melhor".

Semelhante ao WhatsApp, o WeChat tem pitadas de Instagram, permitindo a inclusão de galerias de fotos com botão para curtir e espaço para comentar. Lembra ainda o Facebook, permitindo a inserção de textos, arquivos de áudio e links. Funciona também como Skype, com chamadas em áudio e vídeo. 


WeChat. Tanto o Instagram quanto o Facebook são bloqueados na China, o que ajuda a incrementar os números das redes de relacionamento criados no país. Segundo os últimos dados divulgados pela Tencent, em agosto desse ano, o WeChat já contava com 438 milhões de usuários, mas ainda atrás do WhatsApp, que calcula ter 500 milhões de cadastros.

O Google Search e todos os serviços Google estão impedidos de funcionar na China desde o junho passado, quando o massacre na Praça da Paz Celestial completou 25 anos. Os conteúdos são filtrados por um sistema chamado "Great Firewall", mas com um pouco de paciência, na velocidade da internet discada, ainda é possível abrir a página do Gmail ou o Google Translate. 

Talvez, por essa razão, o Baidu é o site de buscas mais popular entre os chineses. Há rumores de que o buscador coopera com o governo chinês, filtrando conteúdos e impedindo a abertura de diversas páginas. 

Baidu Baike. Existe ainda o Baidu Baike, que funciona como a Wikipédia. Hoje o acesso à Wikipédia chinesa é liberado, mas já foi bloqueado por diversos períodos desde que entrou em atividade no país. Durante o bloqueio, o Baidu Baike alcançou, em poucas semanas, um número de verbetes superior à Wikipédia chinesa e hoje é a principal fonte de pesquisa para assuntos relacionados à China. 

O Twitter também não tem vez na China. Seu acesso é bloqueado desde 2009. Aqui, quem pia mais alto é o Weibo (abreviação das palavras micro e blog). Assim como no Brasil, ele é muito usado pelos chineses para seguir os passos de atores e atletas chineses famosos.

Para Mei Lee, a restrição de acesso a alguns sites, redes sociais e aplicativos não muda muito seu modo de navegar na internet, mas afirma que gostaria de ter uma rede mais aberta: "Não sinto falta desses sites, mas prefiro ter mais mais variedade de plataformas. Às vezes chegam informações que prejudicam os interesses nacionais, mas não vale a pena bloquear. O importante é saber filtrar a informação", pondera. 

Já Guo Hao acredita que a China está bem servida de produtos e serviços tecnológicos desenvolvidos no próprio país e não sente falta de Facebook ou Youtube: "Quando viajei para fora do país, assisti no Youtube vídeos sobre a China que não condizem com a realidade. Isso é ruim para o nosso país, porque é preciso manter a estabilidade", completa o jovem que é a favor de impulsionar a economia do país mas que não se opõe ao controle de conteúdo.


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