Conjuntura é de deterioração rápida do cenário externo, diz Coutinho

Presidente do BNDES destacou que governo irá tomar medidas para evitar desaceleração 'excessiva' no nível de atividade no País, causada pela crise internacional

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

25 de novembro de 2011 | 14h21

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que a conjuntura internacional é de deterioração rápida do cenário externo. "Revisões de expansão dos EUA e Europa correm ladeira abaixo", comentou, em palestra no 21º Congresso Fenabrave, nesta sexta-feira, 25. "O Sistema bancário europeu está em processo de ajuste, pois instituições fazem liquidação de estoques de papéis da dívida pública", comentou. Este fato, segundo ele, torna mais caro o financiamento de títulos de governos e encurtou o funding disponível para estas operações.

O presidente do banco de fomento defendeu que o sistema bancário no Brasil está bem e é capitalizado, o que, segundo ele, é um fator muito importante, dado que em muitos países há temores de que o agravamento da crise internacional possa atingir bancos com sede no exterior e encurtar de forma abrupta a concessão de crédito para empresas e famílias.

Coutinho disse que a crise nos EUA tem desdobramentos peculiares, pois há um processo sucessório em curso, que vai se definir em 2012, e que limita a capacidade da Casa Branca para atacar problemas relacionados à expansão do nível de atividade do país. "A luta pela sucessão de Obama dificulta a recuperação econômica", destacou.

Processo de moderação

O presidente do BNDES afirmou que a economia brasileira está em processo de moderação. Segundo ele, esse processo foi gerado de forma deliberada pelo governo, dado que o Produto Interno Bruto (PIB) vinha em forte expansão no final de 2010, quando atingia a velocidade de 7,5%, e passou para um ritmo entre 4,5% e 5% neste ano. Embora tenha ressaltado que a crise internacional preocupa o governo, ele reiterou que as autoridades da administração federal vão tomar medidas, caso elas sejam necessárias, para evitar qualquer "excessiva" desaceleração do nível de atividade.  

Coutinho destacou que as perspectivas de crescimento sustentado, com boas condições fiscais e inflação sob controle, tornam o Brasil uma rota "fundamental para investimentos de longo prazo de todos os setores produtivos." Ele reiterou que os projetos para formação bruta de capital fixo devem atingir R$ 1 trilhão de 2012 a 2015, com uma taxa de expansão levemente inferior a 8% ao ano.  "Apesar da crise, o País tem atraído investimentos. Temos confiança no cenário favorável para o Brasil, que deve ser a quinta ou quarta economia do mundo nos próximos anos", disse. 

Coutinho afirmou que a diretoria do banco está discutindo como vai escalonar os R$ 25 bilhões que receberá do Tesouro Nacional e que já possui autorização de lei para que estes sejam repassados. "Temos um pouco de sobra, como moderamos o desempenho na concessão de financiamentos neste ano", destacou ele, após participar do 21º Congresso Fenabrave. "Os R$ 25 bilhões são mais que suficientes para atender a demanda de financiamentos de 2011 e ainda vão sobrar recursos para 2012", destacou.

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