Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Conselheiros da Oi abdicam de remuneração

Nelson Tanure e outros cinco executivos abriram mão de salários e alegaram querer 'dar o exemplo' diante da situação da empresa, cujo pedido de recuperação judicial é o maior da história do País

Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 23h06

RIO - Os seis indicados por Nelson Tanure para integrar o Conselho de Administração da Oi, incluindo o próprio empresário, enviaram na quarta-feira, 28, carta ao presidente do colegiado, José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha, na qual abrem mão de "toda e qualquer remuneração" a qual teriam direito pelo período de um ano. Os conselheiros citam a necessidade de uma "economia de guerra". A companhia protagoniza o maior pedido de recuperação judicial da história do País, com dívidas de R$ 65 bilhões.

No documento, ao qual o Broadcast teve acesso, os conselheiros citam que a ação tem como objetivo "dar exemplo". Os ganhos de cada um podem chegar a R$ 50 mil mensais, caso de membros que integrem também comitês de assessoramento do órgão. Atualmente, são 20 conselheiros, sendo 11 titulares, com mandato até a assembleia geral ordinária de 2018.

"Nós, recentemente nomeados como membros titulares e suplentes do Conselho de Administração da Oi, cientes do delicado momento pelo qual vem passando uma das maiores e mais importantes corporações do mercado brasileiro, que tem cume no seu pedido de recuperação judicial, entendemos que o exemplo é uma das principais atribuições que nos incubem enquanto integrantes do órgão de mais elevado nível hierárquico da administração", diz a carta.

O documento, com data de ontem, é assinado pelos titulares Hélio Costa e Demian Fiocca e os suplentes Nelson Tanure, Pedro Grossi Junior, Blener Mayhew e o filho do empresário, Nelson de Queiroz Tanure. Todos são indicações do empresário para o conselho, ocorridas após ter sido fechado um acordo com a Pharol (antiga Portugal Telecom, maior acionista individual da Oi). Tanure, por meio do fundo Société Mondiale, travou uma disputa com os portugueses nos últimos meses para ganhar espaço no comando da companhia. Os acionistas chegaram a um acerto após o juiz responsável pela recuperação judicial da Oi determinar uma mediação entre as partes, o que, ao final, não foi necessário ocorreu já que foi fechado um entendimento antes.

"Esperamos, modestamente, que esta decisão (de abrir mão da remuneração) contribua para inspirar o senso de responsabilidade e o comprometimento de cada colaborador, alicerce sobre o qual criaremos uma nova Oi (...) A situação exige uma verdadeira economia de guerra, com a reavaliação de todos os custos", acrescentam na carta.

Eles acrescentam que "é crucial implantar de imediato uma cultura corporativa que alinhe os custos da companhia ao delicado momento por que passa". O movimento pode trazer pressão para que os demais membros do colegiado sigam o mesmo caminho. Além disso, é mais uma indicação de que a empresa deve passar por uma reestruturação.

Tanure trabalha numa proposta de recuperação da Oi, para a qual contratará a Falconi Consultores. Serão propostas alterações na gestão da companhia, com corte de custos e outras reestruturações, disse uma fonte.

Em abril, foi aprovada em assembleia proposta da administração de verba global anual de até R$ 9,157 milhões para o Conselho de Administração da companhia. Apesar de não participar das reuniões se o titular estiver presente, o cargo de suplente é estratégico na companhia. Isso porque o conselho tem quatro comitês formados por membros do colegiado, sendo um deles o de acompanhamento da recuperação judicial da tele. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.