Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

Conselho da BRF aprova o nome de Ivan Monteiro para vice-presidência financeira e de RI

Ex-presidente da Petrobrás deve assumir vice-presidência financeira e de relação com investidores na companhia; mercado reage bem e ações sobem

Rodrigo Petry, especial para o Estadão/Broadcast, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2019 | 16h08

A BRF divulgou nesta terça-feira, 5, em comunicado ao mercado que o conselho de administração aprovou o nome de Ivan de Souza Monteiro para a vice-presidência financeira e de relações com investidores da companhia de alimentos. Monteiro foi presidente da Petrobrás entre junho e dezembro do ano passado, após ter atuado como diretor executivo financeiro e de relacionamento com investidores da petroleira. O mercado reagiu positivamente ao anúncio e as ações da companhia chegaram a subir mais de 5% nesta terça-feira.

Segundo a BRF, a efetivação de Monteiro depende de autorização da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, uma vez que o executivo ocupava recentemente cargo executivo em empresa de economia mista. Monteiro substituirá Elcio Ito, que se dedicará a projetos pessoais, após atuar por oito anos na BRF, sendo os dois últimos anos em cargos de vice-presidência.

"Tão logo a Comissão conclua a análise e comunique a inexistência de conflito, será definida data para posse do cargo. Durante esse período, o Sr. Elcio ajudará na transição para o novo executivo, que se reportará ao Diretor Vice-Presidente Global (COO), Lorival Luz, mantendo a estrutura organizacional inalterada", afirmou a BRF.

Um executivo, que acompanha de perto o dia a dia da empresa e pediu anonimato ao Estadão/Broadcast, avalia que o ingresso de Monteiro ao cargo deverá trazer uma visão mais estratégica para o tratamento das questões financeiras da empresa de alimentos.

"É um profissional testado em diversas situações de crise, inclusive financeira, que é acostumado ao ambiente de compliance, sério, ético e profundamente engajado na liderança das equipes. Ele traz uma visão estratégica para a área financeira da BRF", diz o executivo. A fonte ressalta que a indicação de Monteiro foi uma "escolha profissional", "muito do mais do que pessoal", já que ele trabalhou ao lado de Pedro Parente - atual CEO e presidente do Conselho da BRF - na Petrobrás, entre maio de 2016 e junho de 2018.

"Monteiro faz um trabalho admirável desde a época do Banco do Brasil", acrescentou.

Entre 2009 a 2015, Monteiro foi vice-presidente de gestão financeira e de relações com investidores do Banco do Brasil, onde construiu sua carreira, tendo ocupado cargos executivos no Brasil, em Portugal e Nova York. Em 2015, ingressou como Diretor Executivo Financeiro e de Relacionamento com Investidores da Petrobrás, até tornar-se CEO, em meio à crise com a greve dos caminhoneiros, em junho de 2018.

Monteiro atuou ainda como membro do Conselho de Administração de empresas, como Banco Votorantim, BV Participações, Mapfre, Ultrapar e BB Seguridade. Ele é graduado em Engenharia Eletrônica e Telecomunicações pelo Instituto Nacional de Telecomunicações, em Minas Gerais, cursou ainda o MBA Executivo em Finanças, do IBMEC /RJ e o MBA em Gestão, da PUC/RJ.

Resgate

Monteiro é apontado no mercado com um dos principais responsáveis por alterar a imagem da Petrobrás, após a crise desencadeada pelas diversas fases da Operação Lava Jato, ao liderar os processos de renegociação de dívidas e de venda de ativos da petroleira.

Na BRF, o desafio será tocar o planejamento estratégico para os próximos cinco, que inclui, entre as metas, desinvestimentos e venda de ativos não operacionais. A empresa de alimentos busca arrecadar R$ 5 bilhões. A meta da BRF, conforme anunciado em fato relevante de 29 de junho de 2018, é encerrar 2018 com uma alavancagem de 4,35 vezes o Ebitda ajustado, considerando o plano de reestruturação operacional e financeira.

Ao final de setembro, a relação entre a divida líquida e o Ebitda ficou em 6,74 vezes - aumento de 1,04 vez em comparação com o trimestre imediatamente anterior e de 2,05 vezes na comparação com a alavancagem no terceiro trimestre de 2017. O endividamento bruto da empresa encerrou setembro do ano passado em R$ 22,691 bilhões, ante R$ 23,398 bilhões de igual período de 2017.

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