Conselho da Petrobrás me deu 'total autonomia e liberdade', diz Bendine

Na 1ª entrevista após assumir o comando da estatal, executivo diz que o importante agora é dar transparência à petroleira e devolver credibilidade à sua imagem

Mônica Ciarelli e Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2015 | 22h40

Em sua primeira entrevista após assumir o comando da Petrobrás, Aldemir Bendine garantiu que recebeu carta branca do conselho da companhia para administrar a estatal, que hoje vive uma crise de credibilidade decorrente das denúncias de corrupção apuradas nas investigações da Operação Lava Jato. "O conselho de administração ao me fazer o convite me deu total autonomia e liberdade", disse Bendine ao Jornal Nacional, da TV Globo.

O executivo foi taxativo ao afirmar que sob sua gestão a petroleira terá mais liberdade para reajustar o preço dos combustíveis. "Não tenho dúvida nenhuma disso". Entretanto, ponderou que a estatal nunca será sujeita à volatilidade do mercado internacional e que a definição dos preços irá mirar o cenário de longo prazo. 

Para o executivo, o importante é dar transparência e devolver credibilidade à imagem da Petrobrás. Bendine deixou claro que não trabalha com o cálculo de R$ 88 bilhões em ativos superfaturados da gestão anterior e a intenção é apresentar um balanço financeiro que retrate a situação da companhia em 2014. "Esse número não é um indicativo", revelou.

Segundo ele, a companhia trabalha atualmente na reavaliação de uma série de ativos e das metodologias para conseguir medir a real situação da petroleira. Com isso, o novo presidente da Petrobrás está confiante que o balanço da estatal será ratificado pela auditoria PriceWaterhouseCoopers. "Não tenho dúvida que garantindo a credibilidade das informações prestadas, a auditoria já se manifestou inclusive que vai estar nos acompanhando no dia a dia para certificar essa metodologia a ser utilizada", disse ao Jornal Nacional. 

Questionado como pretende resgatar a confiança dos investidores, o novo presidente da Petrobrás ressaltou a qualidade do quadro técnico da estatal. Segundo ele, a petroleira vem colaborando com as investigações da Lava Jato e trabalhando para aprimorar o atual modelo de governança para evitar novos "erros no futuro". 

"A Petrobrás não vai parar. Ela não vai entrar em marcha a ré. Ela vai continuar trabalhando efetivamente", disse ao ressaltar que o atual nível de endividamento da companhia não é tão elevado diante da capacidade de geração de seus resultados. 

Sobre o mercado não ter recebido bem a sua nomeação, uma vez que fez carreira num banco público e não teria sido experiência em um ambiente de concorrência, respondeu que já foi "muito testado em relação a mercado". "O banco é uma sociedade de economia mista, que efetivamente trabalha pesadamente na concorrência".  Bendine lembrou que, em seis anos a gestão, triplicou os ativos do banco e dobrou o seu resultado.

Bendine também falou sobre o empréstimo do Banco do Brasil à apresentadora de TV Val Marchiori durante a sua gestão, operação que é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU).  O presidente da Petrobrás chamou as denúncias de antigas e vazias, o que, na avaliação dele, é muito comum quando se está à frente de um cargo público. "Todas as informações foram prestadas e quem conhece minimamente o processo de decisão do BB sabe que seria impossível um tipo de concessão que não tivesse dentro da norma." Segundo ele, o BB já prestou os esclarecimentos, que já foram avaliados "por mais de dez órgãos reguladores e fiscalizadores".

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