Conselho fiscal da Usiminas questiona destituição de alta cúpula da siderúrgica

Conselho fiscal da Usiminas questiona destituição de alta cúpula da siderúrgica

Órgão contesta a parcialidade do voto do presidente do conselho de administração da siderúrgica, Paulo Penido, que culminou na demissão do presidente e de dois diretores da companhia

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 18h18

O conselho fiscal da Usiminas questionou a parcialidade do voto do presidente do conselho de administração da siderúrgica, Paulo Penido, que culminou na destituição do presidente, Julián Eguren, e de dois diretores. Segundo ata de reunião realizada na terça-feira, o conselho fiscal pedia que o voto de Penido passasse por uma avaliação do conselho de administração, assim como pela Assembleia Geral de acionistas. 

As demissões ocorreram em meio à disputa dos sócios Nippon Steel e Ternium (subsidiária do grupo ítalo- argentino Techint) pelo controle da gestão da maior produtora de aços planos do país. 

Os executivos, indicados pela Ternium, foram demitidos em 25 de setembro, após uma votação do conselho de administração da companhia desempatada por Penido, indicado pelo grupo Nippon. 

A Nippon afirma que a demissão dos executivos ocorreu por problemas de falta de governança encontrados após auditorias feitas na empresa. Segundo elas, os executivos receberam valores da companhia indevidamente. A Ternium tem rejeitado as acusações e afirma que a Nippon quebrou o acordo de acionistas da siderúrgica.

Ata. De acordo com o conselho fiscal da Usiminas, o voto de Penido ocorreu “mesmo sem a materialidade de supostos problemas de compliance, envolvendo a conduta dos administradores”. O órgão afirma ainda que não teve conhecimento prévio das auditorias internas, que teriam apontado irregularidades em bônus recebidos pelos diretores. 

Segundo o documento do conselho fiscal, as afirmações de irregularidades que constam no relatório da auditoria interna foram precipitadas e as duas auditorias externas que foram realizadas, pela Deloitte e Ernst Young, não permitem “construir convicção quanto à legitimidade do voto do desempate do presidente do conselho ou se mesmo foi exercido no interesse social e econômico da companhia”.

“Ora, é evidente que a decisão de destituir 40% de uma diretoria executiva de qualquer empresa, com desempenho acima do satisfatório, requer argumentos sólidos que justifiquem tal decisão para os acionistas, minoritários ou não”, diz a ata.

Balanço. A Usiminas anunciou na quarta-feira, 29, que encerrou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 24,4 milhões, interrompendo um ano de resultados positivos. No mesmo período de 2013, a siderúrgica teve lucro líquido de R$ 114,6 milhões.
 
A receita líquida de vendas totalizou R$ 2,9 bilhões, recuo de 9% ante o registrado há um ano. O baixo desempenho foi provocado pela desvalorização cambial e por um resultado operacional abaixo do esperado, de acordo com a companhia. 

Os fracos resultados no período tiveram impacto nas ações da companhia, que lideraram as perdas do índice Bovespa. As ações preferenciais caíram 8,07%, cotadas a R$ 5,47, enquanto as ordinárias tiveram perdas de 5,82%, a R$ 6,15.

Segundo analistas de mercado, pesou também sobre os papéis da Usiminas um rebaixamento para “underperform” (desempenho abaixo do mercado) promovido pelo Itaú BBA.

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