Conselho na Argentina tem desafio de combater inflação

Membros do grupo, pelo contrário, pretendem aumentar o financiamento da produção e do consumo

Marina Guimarães, da Agência Estado,

19 de fevereiro de 2010 | 09h15

O combate à inflação na Argentina é o primeiro desafio do Conselho de Coordenação de Política Monetária, Financeira e Cambiária Econômica, formado na quinta-feira, 18, pelo ministro de Economia, Amado Boudou, e pela presidente do Banco Central, Mercedes Marcó Del Pont. O conselho não pretende esfriar a economia, como sugerem alguns economistas, pelo contrário: a principal meta traçada por Boudou e Del Pont é aumentar o financiamento da produção e do consumo.

 

A titular da autoridade monetária já iniciou o processo de identificação dos setores que enfrentam maiores problemas de falta de crédito. Na quinta-feira, 18, Del Pont se reuniu com o comitê executivo e técnicos da entidade que representa as indústrias de alimentos e bebidas, a Coordenadora das Indústrias de Produtos Alimentícios (Copal). A ordem da Casa Rosada é facilitar créditos aos industriais para sustentar o ritmo da produção e da demanda, a qual registra tendência de retração devido à alta dos preços.

 

Segundo informações de fonte do BC, as consultas vão ser realizadas com outros setores também, mas a prioridade é evitar uma disparada maior dos preços dos alimentos da cesta básica. "A ideia é ter um mapa das carências de crédito dos diversos setores da produção e buscar uma forma de suprir essas carências através do sistema financeiro", disse a fonte. O levantamento pretende identificar onde estão os gargalos da economia argentina.

 

A tarefa do conselho e da presidente do BC não é fácil. Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), em janeiro, sobre as expectativas dos empresários, somente 8,9% preveem realizar novos investimentos produtivos durante o primeiro trimestre de 2010. Para contrabalançar a situação, a primeira recomendação do conselho "é não colocar o freio no gasto público porque as obras, os subsídios e os planos sociais conferem importante dinâmica à economia", disse a fonte.

 

A inflação oficial de janeiro ficou em 1%, enquanto a real, medida por economistas e instituições privadas, foi de 2%. Em fevereiro, as projeções são de alta de 1,5% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). As expectativas dos analistas para a inflação em todo o ano de 2010 estão acima de 25%.

 

A União Industrial Argentina (UIA) insiste em que o governo tem de baixar um plano econômico de combate à inflação imediatamente, segundo opinião do secretário da entidade, José Ignácio de Mendiguren.

 

As receitas de combate à inflação brotam em todos os lados e giram em torno de duas primícias: moderação do gasto público e elevação das taxas de juros. Contudo, a fórmula da presidente Cristina Kirchner vai em direção contrária.

Tudo o que sabemos sobre:
Argentina, inflação, crise

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.