Conselho recomenda à Petrobras que reduza alavancagem

Numa advertência raramente registrada num documento público, o conselho fiscal da Petrobras recomendou que a administração da companhia se empenhe na redução da alavancagem da empresa, sob risco de rebaixamento da nota da estatal por agências de classificação de risco. O recado do órgão responsável por fiscalizar o trabalho dos administradores da estatal foi registrado em ata de reunião.

SABRINA VALLE, Agencia Estado

14 de março de 2014 | 20h09

Foi uma clara mensagem ao governo, controlador da companhia de capital misto, sobre a pressão na empresa, que tem investido mais do que gera de c aixa, compensando a diferença fazendo dívida. Apenas no ano passado, a dívida foi elevada em 30%, US$ 22 bilhões a mais que em 2012.

Os conselheiros fiscais destacaram no documento que um eventual rebaixamento pelas agências poderia afetar tanto os volumes, como os custos (juros mais altos) de futuras captações para financiamento dos planos de investimento da companhia, hoje em US$ 220 bilhões em cinco anos.

Os cinco membros do conselho fiscal citam um importante indicador de referência da companhia, o endividamento líquido/ Ebtida, que fechou em mais de 3,5 vezes em 2013, bem acima da meta de 2,5 vezes estabelecida internamente.

"Este colegiado recomenda à administração da companhia que envie esforços para reduzir a alavancagem da Petrobras tendo em vista que a deterioração deste múltiplo põe em risco o atual rating de crédito, podendo afetar tanto os volumes como os custos de futuras captações para financiamento dos planos de investimento da companhia", disseram na ata da reunião de 25 de fevereiro e divulgada ontem.

A recomendação é direcionada ao conselho de administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O conselho de administração tem dez membros e o fiscal é composto por cinco membros, sendo dois independentes e três indicados pela União.

A cobrança em ata é uma vitória dos dois membros independentes, sobre o intenso debate interno que tem acontecido reservadamente há meses dentro da companhia sobre a pressão para elevar investimentos sem uma geração de caixa compatível. Sem caixa, Pressionada para fazer investimentos pesados de US$ 220 bilhões em cinco anos, elevou a dívida a níveis preocupantes.

Além disso, o conselho fiscal também cobrou antecedência no recebimento de demonstrações contábeis da companhia. Hoje, eles têm apenas algumas horas para aprovar centenas de páginas com os resultados trimestrais da empresa.

Os documentos têm sido entregues apenas durante a reunião de conselho convocada para a aprovação. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) recomenda, para a eficácia das reuniões, que a papelada seja entregue com prazo mínimo de sete dias.

"O conselho fiscal enfatiza que as demonstrações contáveis e demais documentos concernentes às matérias que demandam a sua opinião, nos termos da Lei 6.404/76, devem ser encaminhados com antecedência razoável, de modo que sua análise possa ser realizada com a atenção requerida", disseram os conselheiros.

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