Consórcio da Suez leva Jirau e promete antecipar geração

O consórcio Energia Sustentável doBrasil, liderado pela Suez Energy, venceu nesta segunda-feira oleilão de concessão da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira,usina que terá capacidade instalada de 3.300 megawatts, eprometeu iniciar as operações antes do previsto. O consórcio --que também inclui Camargo Corrêa, Eletrosul eChesf-- ofereceu preço de 71,40 reais por megawatt hora (MWh)no lance vencedor do leilão, o que significa um deságio de 21,5por cento sobre o preço inicial de 91 reais por MWh. Jirau é a segunda hidrelétrica do Complexo do rio Madeira,em Rondônia. A primeira unidade, Santo Antônio, foi leiloada emdezembro do ano passado e o consórcio Madeira Energia, lideradopor Odebrecht e Furnas, foi o vencedor, com lance quesignificou deságio de 35 por cento sobre o preço inicial. Analistas esperavam por forte competição no leilão, maspreviam um deságio menor, de aproximadamente 10 por cento. O consórcio perdedor nesta segunda tinha a mesma formaçãodo grupo que venceu o primeiro leilão, contando, além deOdebrecht e Furnas, com Andrade Gutierrez, Cemig e um fundo deinvestimentos dos bancos Banif e Santander. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não divulgouo preço oferecido pelos perdedores, mas a diferença em relaçãoao consórcio vencedor certamente foi superior a 5 por cento,uma vez que as regras do leilão exigiam que uma diferençainferior a esse limite levaria a outra rodada de ofertas. "O deságio é resultado de otimizações planejadas pelossócios com base em estudos técnicos que permitirão aantecipação da geração, menores custos e menores impactosambientais", afirmou em nota o presidente do consórciovencedor, Victor-Frank Paranhos. Segundo ele, as mudanças feitas pelo consórcio no projetooriginal da usina possibilitarão uma redução de 1 bilhão dereais no custo da obra civil. Ainda assim, questionado sobre ovalor total do projeto, Paranhos afirmou, em entrevista àimprensa, que ele ficará "um pouco superior" ao avaliado pelaEmpresa de Pesquisa Energética (EPE), de 8,7 bilhões de reais. Paranhos afirmou que o projeto do seu consórcio prevê aconstrução da usina 9 quilômetros abaixo do local no rioMadeira inicialmente previsto, o que implicará uma reduçãosubstancial nas escavações em rocha a serem feitas, comreduções de custo e de impacto ambiental. AGILIDADE PARA LICENÇA A Suez informou que pretende antecipar o início deoperações da usina de janeiro de 2013 para março de 2012,"ampliando a oferta de energia elétrica para o Brasil". "A meta é iniciar a construção o mais rápido possível, logoapós a emissão da licença de instalação", acrescentou acompanhia na nota. Paranhos disse que o consórcio pretende entregar seuprojeto ambiental ao governo ainda em maio e a expectativa éque a licença para a instalação do canteiro seja concedida emagosto, quando as obras seriam então iniciadas. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ter "umaesperança muito grande" de que a mudança no comando doMinistério do Meio Ambiente acelere o processo de licenciamentoda obra. "A ministra (Marina Silva) é uma querida amiga minha,colega no Senado, mas ela era bastante exigente nesseslicenciamentos", disse Lobão a jornalistas. "Eu espero que onovo ministro possa ter uma compreensão maior para anecessidade de rapidez nessas decisões." O presidente da Suez Energy Brasil, Maurício Bahr, informouque os sócios do consórcio já subscreveram 2,5 bilhões de reaisem capital na companhia, e o restante será viabilizado viafinanciamento do BNDES. Questionado se o BNDES poderá virar um sócio do consórcio,Paranhos disse estar aberto a negociações. "Mas não dependemos de sócio estratégico para iniciar asobras", frisou. Segundo ele, a abertura do capital da novaempresa só ocorrerá a partir de 2012 ou 2013, após o início dageração. As duas usinas do Madeira são consideradas fundamentaispara garantir o suprimento de energia elétrica no Brasil apartir de meados de 2013. No total, a usina de Jirau terá 44 unidades geradoras. Aprevisão inicial era de que a hidrelétrica estaria operando comcapacidade total até outubro de 2016. Do total de energia gerada, 30 por cento será vendida nomercado livre, no qual os preços são definidos em leilão, e 70por cento será vendido ao preço de 71,37/MWh. Confira abaixo a formação do consórcio vencedor: CONSÓRCIO ENERGIA SUSTENTÁVEL DO BRASIL EMPRESA PARTICIPAÇÃO Suez Energy South America Participações Ltda. 50,1% Camargo Correa Investimentos em Infra-Estrutura S/A 9,9% Eletrosul Centrais Elétricas S/A 20% Companhia Hidro Elétrica do São Francisco -- Chesf 20%

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