Construção civil desacelera atividade em junho, diz CNI

Indicador do mês ficou em 53,8 pontos, enquanto em maio o índice havia chegado a 55,8 pontos

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

30 de julho de 2010 | 09h59

O ritmo de crescimento da construção civil diminuiu em junho, de acordo com sondagem do setor, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em uma escala onde valores acima de 50 pontos indicam crescimento, o indicador de junho ficou em 53,8 pontos, enquanto no mês anterior o índice havia chegado a 55,8 pontos.

Ainda assim, a sondagem mostra que o setor continua aquecido, acima do usual para o período. Na avaliação que compara o nível de atividade com a média esperada para junho, o indicador continuou acima dos 50 pontos de referência, chegando a 54,6 pontos. O número de empregados na construção também apresentou pequeno aumento, com o índice em 52,9 pontos.

Por isso, os empresários do setor entrevistados pela CNI mantiveram o otimismo em relação a julho. Pela mesma metodologia, o indicador que mede as expectativas em relação à atividade no mês registrou 65,2 pontos.

Margem de lucro

A sondagem da construção civil revela que os empresários do setor continuaram mais do que satisfeitos com a margem de lucro operacional no segundo trimestre de 2010. Em uma escala onde valores acima de 50 pontos medem a satisfação do empresariado, o indicador ficou em 52,4 pontos. No primeiro trimestre, a satisfação medida ficou em 52 pontos.

O mesmo ocorreu em relação à situação financeira das empresas de construção, cujo índice registrou 55,1 pontos no segundo trimestre do ano. No primeiro trimestre, o índice de satisfação estava em 55,5 pontos. Além disso, o acesso ao crédito, que geralmente é uma das maiores reclamações do empresariado, situou-se acima do patamar de referência, com 51 pontos no segundo trimestre. No primeiro trimestre o índice era 50,6 pontos

Dentre os problemas elencados pelas empresas do setor, a falta de trabalhadores qualificados ocupou o primeiro lugar, citada por 62% dos entrevistados. A segunda maior dificuldade enfrentada pelo setor, de acordo com a sondagem, é a elevada carga tributária do País, citada por 60,9% dos empresários.

Além disso, o estudo também mediu o otimismo do setor em junho com relação ao mês seguinte. Segundo a mesma metodologia da pesquisa, o indicador que mede a expectativa com relação ao nível de atividade ficou em 65,2 pontos. Da mesma forma, as perspectivas sobre novos empreendimentos (66 pontos) e compras de matérias primas (63,9 pontos) também ficaram positivas.

O otimismo deve se traduzir em contratações, na avaliação da CNI, uma vez que o indicador de número de empregos também ficou acima dos 50 pontos de referência, com 64,5 pontos.

Setor aquecido

Apesar do menor ritmo de crescimento na atividade da construção civil em junho, a expansão contínua do setor registrada desde dezembro demonstra que o mercado imobiliário continua aquecido enquanto o restante da indústria começa a botar o pé no freio, na avaliação do gerente-executivo de Pesquisa da entidade, Renato da Fonseca.

"As medidas governamentais de incentivo à produção industrial editadas durante o auge da crise já foram retiradas e a taxa de juros começou a subir. No entanto, como na área de construção civil as medidas são de mais longo prazo, ainda há estímulo para o setor que, além disso, também conta com sistema de financiamento próprio", avaliou Fonseca.

Para o economista, a reclamação por parte dos empresários da construção em relação à falta de mão-de-obra qualificada ainda não oferece riscos para a manutenção do crescimento do setor. "Sempre que a economia cresce, faltam recursos, e um dos primeiros que aparecem é a falta de trabalhador qualificado. A saída é investir em programas de capacitação ou dentro da própria para tentar resolver o problema. Pode ser uma armadilha, mas por enquanto não está impedindo contratações no setor", afirmou o executivo.

Segundo o economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Luiz Fernando Mendes, a falta de trabalhadores qualificados representa um desafio ainda maior diante da recente industrialização do processo de construção no País. "Até pouco tempo a construção civil brasileira foi bastante artesanal, com uso intensivo de mão-de-obra. Com a evolução tecnológica, apesar do uso menos intenso, a necessidade de qualificação é maior", explicou.

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