Construção civil reage e diz que não precisa de 'salvação'

Representantes criticam decisão do governo de autorizar Caixa e Banco do Brasil a adquirirem participações

Wilson Lima, especial para o Estado,

22 de outubro de 2008 | 21h59

Representantes da construção civil de todo o País criticaram duramente a decisão do governo federal de autorizar a Caixa e Banco do Brasil (BB) a adquirirem participações em instituições financeiras. De acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, as empresas brasileiras "não precisam de salvação" e sim de maior oportunidade ao crédito.   Veja também: Para especialistas, MP que autoriza estatização é positiva Governo autoriza estatização de instituições privadas no País Íntegra da MP no Diário Oficial  Pacote para construção civil envolverá BNDES e Caixa Conheça outro caso de intervenção do governo em construtoras Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise     "O governo federal erra completamente com essa medida. A crise internacional já afetou o Brasil, mas aqui os reflexos são diferentes, o que deveria suscitar medidas também diferenciadas. Nós precisamos é de crédito, tanto para o consumidor final quanto para as empresas. Essa medida vai beneficiar apenas algumas parcas companhias que têm investimentos nas bolsas", disse Safady, que participou nesta quarta-feira, 22,, em São Luís (MA), da abertura do 80º Encontro Nacional da Indústria da Construção.   Ele disse que o setor, que cresceu 9,9% no segundo trimestre do ano, já está revendo suas metas de crescimento. A expectativa é que a construção civil feche este ano com uma variação de 8,5%. Para 2009, Safady alegou que o cenário ainda é incerto para fazer previsões de expansão. "É muito difícil arriscar metas de crescimento do setor para o próximo ano. Queremos, ao menos, manter esse patamar de crescimento para 2009, o que acho muito difícil de acontecer", disse o presidente da CBIC.   O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Watanabe, também criticou a Medida Provisória 443. "O principal fato relacionado à essa crise internacional ainda não está sendo atacado, que é a possibilidade de uma crise de liquidez. Com essa medida provisória, o governo federal quer tomar a construção civil como ‘bode expiatório’ de uma crise. Mas o setor será o menos beneficiado nisso", disse Watanabe.   O presidente do Conselho Nacional da Indústria Imobiliária, João Cristana, também atacou a publicação da medida, alegando que os reflexos da crise financeira internacional no mercado imobiliário brasileiro são menores do que em outros países. Segundo ele, o motivo é que, no Brasil, a demanda é crescente, visto que o déficit habitacional no País é de cerca de 8 milhões de moradias.   "No Brasil, há uma demanda reprimida que demoraria pelo menos 15 anos para ser equacionada. Além disso, temos a demanda relacionada ao crescimento vegetativo da população, que está na casa de 1,5 milhão de moradias por ano. Então, o nosso problema é crédito. Crédito para a população e para as instituições. Não é estatizando bancos que resolveremos esse problema", afirmou Cristana. A expectativa é que o setor imobiliário em São Paulo encerre o ano com crescimento de 15%.

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