Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Construtora Mitre arremata a marca Daslu, que deve virar grife de prédios classe A

Mitre vale cerca de R$ 530 milhões na Bolsa brasileira e vê o nome Daslu como uma forma de atrair o cliente de altíssimo padrão para seus empreendimentos

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 13h19

Se há algumas décadas a marca Daslu ostentava roupas e acessórios de luxo à elite paulista, em breve seu logo ajudará a dar personalidade a empreendimentos residenciais de alto padrão na cidade de São Paulo. Depois de muito mistério em torno do nome do ganhador do leilão judicial de falência da Daslu, o novo dono da marca é um tanto inesperado: foi a construtora Mitre que desembolsou R$ 10 milhões no certame.

O presidente da Mitre, Fabricio Mitre, explica que o racional por trás da transação está na leitura de que a Daslu pode ser complementar aos imóveis oferecidos pela companhia, que tem foco no mercado imobiliário de alto e altíssimo padrão na capital paulista. 

“Estamos cada vez mais nos posicionando como uma marca de altíssimo padrão. Estamos com alguns lançamentos nos Jardins (bairro nobre da cidade) e queremos ofertar mais do que apartamentos, mas outros serviços e comodidades aos clientes”, comenta o executivo. 

A compra da marca por uma construtora foi o desfecho de um processo bastante competitivo. Foram mais de 30 lances, conforme divulgou a casa de leilão Sodré Santoro, mantendo todos os nomes em sigilo. “Foi competitivo até o último segundo, foi por isso que conseguiram uma avaliação tão superior”, conta Mitre. O lance inicial do leilão era de R$ 1,4 milhão.

Apesar de já vencedora, a Mitre ainda prefere não passar detalhes de sua estratégia e como, na prática, utilizará a marca Daslu para impulsionar a venda de apartamentos. Isso porque, o aval final para a marca trocar de mãos precisa ser dado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), visto que se tratou de um leilão judicial de falência. 

Abertura de capital

A construtora é conhecida no mercado e fez sua abertura de capital há um pouco mais de dois anos, quando levantou cerca de R$ 1 bilhão na Bolsa brasileira. Desde então suas ações derreteram, e a companhia vale hoje R$ 537 milhões, ou seja, menos do que levantou em sua oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês). 

“Nunca na minha carreira eu vi uma discrepância tão grande entre a precificação do mercado financeiro e o que está acontecendo no setor e no nosso negócio no dia a dia”, afirma o executivo. Segundo ele, a empresa entregou as promessas do IPO, segue crescendo e está no “melhor momento de sua história”. “E a compra da marca Daslu reflete isso, algo que não é trivial para uma incorporadora do setor imobiliário”, comenta. 

Apesar da oferta na Bolsa, a construtora ainda é controlada pela família Mitre, que possui uma participação de 50,1% da companhia. A empresa foi fundada há mais de 50 anos pelo avô de Fabrício, que por sua vez assumiu o comando em 2008, quando foi dada a largada ao processo de profissionalização da companhia.

Do luxo à ruína

A marca Daslu representou por anos o máximo do luxo no Brasil, em um momento em que as marcas importadas, que hoje já possuem presença no País, só eram acessíveis para quando os consumidores endinheirados iam ao exterior. No auge na década de 1990, sob o comando de Eliana Tranchesi, que morreu em 2012, a varejista atraiu as consumidoras mais ricas da cidade. O sinônimo do alto luxo se refletiu em seu vistoso prédio com a marca Daslu em letras garrafais e de fácil leitura para quem passava à época na Marginal Pinheiros.

A construção da sua megaloja, em 2005, contudo, marcou o início da derrocada. Na época, um escândalo que ganhou o noticiário televisivo mostrou Tranchesi sendo presa por sonegação fiscal. A ex-empresária foi condenada a uma pena de 94 anos de prisão, mas ficou por um ano detida. Ela foi liberada para cumprir a pena em casa, depois de ser diagnosticada com câncer, para poder fazer o tratamento. 

A recuperação judicial da varejista de moda veio em 2010, depois de acumular uma dívida na casa de R$ 80 milhões. Em 2011,

a megaloja, que hoje integra parte do Shopping JK, foi fechada. A companhia tentou se reerguer no varejo, sem sucesso, o que acabou resultando em sua falência.

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