Andre Penner / AP
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Construtora Odebrecht tenta renegociar dívida de US$ 3 bilhões com credores

Companhia contratou como assessores o banco Moelis&Company e o escritório de advocacia Cleary Gottlieb; no mês passado, construtora deixou de pagar US$ 11 milhões em juros e entrou no período de carência de 30 dias previsto no contrato

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2018 | 04h00

A construtora Odebrecht deu início a um processo de reestruturação de uma dívida de US$ 3 bilhões. A decisão ocorre alguns dias depois de a empresa deixar de pagar US$ 11 milhões em juros e entrar no período de carência de 30 dias previsto no contrato. Na ocasião, a companhia afirmou que usaria o período para avaliar as condições do setor e da própria empresa no médio e longo prazos.

Para fazer a negociação com os detentores dos títulos, chamados de bondholders, a Odebrecht contratou como assessores financeiros a Moelis & Company e Cleary Gottlieb, além de contar com o apoio do escritório Munhoz Advogados. Do lado dos bondholders, as negociações serão feitas por meio da Rothschild. Procurada, Odebrecht e Moelis não se manifestaram.

As negociações sobre como será feita a reestruturação deverá começar oficialmente após o fim do período de carência, no dia 26 de novembro, apurou o Estado. Além disso, a proposta, com as condições do reperfilamento, está em elaboração.

Metade dos US$ 3 bilhões de dívida vence em 2042 e a outra metade se refere a títulos perpétuos, sem vencimento do valor principal. Hoje, a Odebrecht paga algo em torno de US$ 170 milhões por ano de juros. Com a renegociação, a ideia seria dar um fôlego no caixa da empresa e ao mesmo tempo diminuir o prazo desses títulos. Embora não tenha emitido essa dívida, a construtora é a garantidora dos títulos. Os recursos foram usados em várias outras unidades de negócios da holding.

Fontes ligadas às negociações afirmam que o fraco desempenho da economia brasileira e a falta de obras no País dificultaram os planos da construtora – centro do maior escândalo de corrupção do País – para se reerguer. Por isso, a necessidade de renegociar a dívida. Na época do não pagamento dos juros, em outubro, a maior preocupação era de que a empresa entrasse com pedido de recuperação judicial, o que fez com que várias agências de classificação de risco cortassem a nota da companhia.

A Fitch chegou a dizer que o uso dos 30 dias de carência indicava que um “processo semelhante ao de inadimplência” havia começado. Na opinião da agência, o atraso de um montante relativamente pequeno gerava preocupações sobre a intenção e a capacidade de a empreiteira amortizar juros e a dívida no futuro.

Além dos US$ 11 milhões vencidos no mês passado, a empresa teria de arcar com o pagamento de mais US$ 60,8 milhões, em dezembro. Para a Standard & Poor’s, o caixa da OEC está entre US$ 400 milhões e US$500 milhões, o que cobriria sua dívida de curto prazo. “Mas, devido às condições de negócios desafiadoras e ao consumo contínuo de caixa, acreditamos que existe maior risco de reestruturação da dívida.”

Acordo

As negociações para uma nova reestruturação ocorrem seis meses após a conclusão de um acordo de R$ 2,6 bilhões com os principais bancos do País. A empresa adotou a mesma estratégia na época, quando usou o período de 30 dias de carência para pagar uma dívida de R$ 500 milhões.

Quase metade dos recursos conseguidos na renegociação ficou com a construtora do grupo para pagar a dívida de R$ 500 milhões e para capital de giro da empreiteira. As conversas para o fechamento do acordo demoraram quatro meses para serem fechadas. Desta vez, no entanto, a expectativa é que a conclusão de um acordo seja mais rápida, já que os detentores dos títulos têm demonstrado interesse em rever as condições da dívida, apurou o Estado.

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