‘Consumidores não conseguem ter mais dívida’, diz Setubal

Segundo o presidente do Itaú Unibanco, 'não tem espaço para alavancagem na renda'

Aline Bronzati e Dayanne Souza, da Agência Estado,

22 de maio de 2014 | 12h09

O alto nível de endividamento das pessoas no Brasil exige que os bancos peçam mais garantias dos clientes, conforme o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal. "Há oportunidade de aumentar empréstimos a consumidores no Brasil. As vendas de carros estão crescendo e o financiamento ao consumo fez muito por isso. Mas hoje os consumidores não conseguem ter mais dívida. Haverá algo mais em linha com a renda no Brasil. Não tem espaço para alavancagem na renda", avaliou ele, em São Paulo, nesta manhã.

Segundo ele, a oferta de crédito está em linha com o nível de dívida que o consumidor tem condições de lidar. Setubal citou negócios específicos como crédito consignado (com desconto em folha), no qual o banco está mais bem posicionado após a joint venture com o BMG, especializado nesta área. Falou ainda sobre crédito imobiliário, no qual o Itaú vem crescendo 30% ao ano e ainda há potencial de expansão. "Essa indústria (imobiliária) ainda está se desenvolvendo e há grande potencial", afirmou ele.

Os bancos, conforme o executivo, são uma "maratona". No longo prazo, de acordo com Setubal, precisam ser sustentáveis, ter capital, estratégia, tecnologia e pessoas certas. No entanto, ele lembrou que não é algo que pode ser feito da noite para o dia. Ele disse que quando se inicia um negócio é preciso cuidado para aprender sobre este mercado. "Quando há um banco muito agressivo, usualmente, há obstáculos no caminho. No Brasil, os bancos públicos vêm sendo agressivos", concluiu Setubal.

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