Consumo de café no Brasil cresce 8,97%, para 14,946 mi de sacas

São Paulo, 17 - O consumo de café no mercado interno este ano supera as expectativas mais otimistas da indústria. O volume total está estimado em 14,946 milhões de sacas de 60 kg, representando crescimento de 8,97% em relação ao ano passado. O levantamento é da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), que considera a análise entre os meses de novembro de 2003 a outubro deste ano ante novembro/2002 a outubro/2003 (13,716 milhões de sacas). A expectativa inicial da indústria era de que o consumo ficasse em cerca de 14,2 milhões de sacas. "O resultado é expressivo, levando em conta que o crescimento anual do consumo no mundo está estimado em 1,5%", informa o diretor executivo da Abic, Nathan Herszkowicz. Ele considera que o aumento do poder de compra da população foi decisivo para o bom desempenho. Além disso, aumentou o interesse do brasileiro em relação ao café, graças em grande parte às campanhas de marketing e publicidade das empresas torrefadoras. O consumo per capita em 2004 é o melhor dos últimos anos (4,01 kg de café torrado e moído). Em 2003, o consumo per capita foi de 3,72 kg. Nathan acrescenta que uma campanha nacional de estímulo ao consumo deve ser deflagrada a partir da semana que vem na televisão. Com slogan "Café: o Ritmo do Brasil", a campanha deve ser veiculado durante 7 dias. Foram investidos R$ 1,5 milhão na peça publicitária, dos quais R$ 400 mil para produção da peça e R$ 1,1 milhão em veiculação na TV. Os recursos são oriundos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Nathan salienta que a campanha vai ganhar força a partir do ano que vem porque muitas indústrias mostram interesse de veicular a campanha em caráter regional. A Abic estima que o consumo de café deve alcançar 15,8 milhões de sacas em 2005, numa projeção conservadora. Nathan Herszkowicz diz que existe a possibilidade de que a meta de 16 milhões de sacas, prevista para 2006, seja superada já no ano que vem. "A Abic confia que a economia do País vai melhorar", informa. Nathan ressaltou, porém, que as indústrias estão trabalhando com um cenário de abastecimento restrito em 2005. Isso porque a estimativa oficial do governo sugere que a safra do ano que vem será baixa, entre 30,7 milhões de sacas a 33 milhões de sacas. Considerando que a demanda interna será de 15,8 milhões de sacas e as exportações mantenham-se no nível deste ano (cerca de 26 milhões de sacas), haverá um déficit de pelo menos 8,8 milhões de sacas. O governo tem estoques de café velho, os quais são leiloados para a indústria mensalmente, num volume de cerca de 80 mil sacas/mês. "Espera-se que o volume ofertado aumente no ano que vem", sugere o diretor da Abic. Nathan acrescenta que a indústria vai solicitar ao governo que acelere os trabalhos de levantamento dos estoques privados de café (em mãos de cooperativas, exportadores, indústrias e produtores. (segue)

Agencia Estado,

17 de dezembro de 2004 | 19h05

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