Consumo de energia cresce 4,8% no 1o trimestre, diz EPE

A dinâmica do crescimento do consumo de energia elétrica no Brasil nos primeiros três meses do ano foi superior à do período que antecedeu a crise financeira em 2008, apesar da desaceleração apurada em março decorrente, entre outros fatores, do feriado de Carnaval.

REUTERS

26 de abril de 2011 | 13h32

Segundo dados divulgados nesta terça-feira pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no primeiro trimestre o consumo nacional de energia totalizou 107.231 gigawatts-hora (GWh), o que significa um crescimento de 4,8 por cento ante os mesmos meses de 2010.

No mês passado, o aumento foi de 2,8 por cento ante março de 2010, chegando a 36.154 GWh.

"As principais classes de consumo revelaram queda no nível de crescimento na comparação com os dois primeiros meses do ano, fato já esperado por conta do menor número de dias úteis devido à ocorrência do Carnaval", disse a EPE, em nota.

O consumo industrial de energia apresentou avanço de 4,5 por cento no primeiro trimestre do ano. Enquanto o Sudeste foi o destaque positivo no período --com incremento de 6,7 por cento no consumo por conta de avanços em todos os Estados da região--, o Nordeste teve retração de 5,4 por cento pelo fechamento de uma fábrica de alumínio na Bahia e o apagão registrado na região em fevereiro.

O desempenho negativo no Nordeste também desacelerou o crescimento do consumo de energia das indústrias em março. O avanço no mês passado foi de 2,6 por cento, enquanto a região recuou 3,7 por cento.

Em fevereiro, o consumo industrial já havia mostrado forte desaceleração, crescendo 1,8 por cento ante o mesmo mês de 2010.

CONSUMO RESIDENCIAL EM ALTA

Se a região Nordeste foi uma das responsáveis pela desaceleração do consumo industrial no primeiro trimestre, o mesmo não aconteceu com o consumo residencial: segundo a EPE, as residências consumiram 5,3 por cento mais energia em relação aos três primeiros meses do ano passado.

"A exemplo do verificado ao longo de 2010, o Nordeste segue liderando a expansão nesta classe em termos percentuais (6,1 por cento), devido, por um lado, à expansão e ao maior uso do estoque de eletrodomésticos nos domicílios, consequência do aumento da renda e da oferta de crédito a pessoas físicas. Por outro lado, houve um maior número de ligações nesta região", disse a empresa.

Entre março de 2010 e março deste ano, cerca de 2 milhões de novos consumidores residenciais foram conectados à rede, dos quais aproximadamente 40 por cento, ou 764 mil, foram no Nordeste.

Especificamente no mês de março, o consumo residencial de energia cresceu 3,8 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

O consumo comercial e de serviços subiu 6,1 por cento no primeiro trimestre na comparação anual e cresceu 3,5 por cento em março ante o mesmo mês de 2010. No mês passado, o efeito-calendário e as chuvas intensas fizeram com que as regiões Norte e Nordeste mostrassem desempenho fraco, o que afetou a média nacional.

(Por Carolina Marcondes)

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