Consumo impulsiona crédito, que cresce 1,1% em março e atinge R$ 1,451 trilhão

Dados do BC mostram ainda que o juro médio para pessoa física recuou a 41% e renovou a mínima histórica 

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

29 de abril de 2010 | 10h39

As operações de crédito do sistema financeiro tiveram em março expansão de 1,1% ante o observado em fevereiro, informou nesta quinta-feira, 29, o Banco Central. Com essa expansão, o total dos empréstimos atingiu R$ 1,451 trilhão no mês passado. Segundo a autoridade monetária, os financiamentos registraram aceleração em março "de forma equilibrada entre as carteiras referenciadas em recursos livres e direcionados".

De acordo com a nota do BC, os empréstimos com recursos livres continuam sendo impulsionados pelo consumo das famílias, o que se reflete, principalmente, no crédito pessoal e financiamento de veículos. No crédito direcionado, o destaque ficou com as operações do BNDES, que representaram 60,6% do volume operado nesse segmento.

No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, a carteira de crédito do sistema financeiro teve expansão de 16,8%. Em março deste ano, essa carteira representava 45% do PIB, mesmo patamar observado desde novembro de 2009.

Entre as linhas de crédito que mais crescem, destaque para os recursos para habitação, que avançaram 3,9% no mês passado ante o mês anterior e acumulam uma expansão de 48,6% em 12 meses até março. No mês passado, essa carteira atingiu pela primeira vez na história a casa dos R$ 100 bilhões.

Juros para pessoas físicas renovam mínima histórica

O juro médio no crédito livre ficou em 34,2% em março, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Esse foi o segundo mês seguido em que a taxa recuou, já que a média de fevereiro havia ficado em 34,3%. O juro médio recuou liderado pelas operações para pessoas físicas, cuja taxa passou de 41,9% em fevereiro para 41% no mês passado, o menor nível de toda a série histórica do Banco Central, iniciada em 1994. Trata-se de uma renovação da mínima histórica, uma vez que a taxa de fevereiro já havia estabelecido um recorde de baixa. Nas operações para pessoas jurídicas, a dinâmica foi contrária e o juro médio passou de 25,9% para 26,3%.

O BC também informou que o spread médio das operações de crédito com recursos livres caiu de 24,3 pontos para 24,1 pontos. Essa redução ocorreu nas transações para pessoas físicas, cuja margem caiu de 30,8 pontos em fevereiro para 29,7 em março. Nos empréstimos para pessoas jurídicas, o spread subiu de 16,9 pontos para 17,1 pontos.

Inadimplência tem segunda queda seguida

A taxa de inadimplência médio no crédito livre oscilou de 5,3% em fevereiro para 5,2% em março. Essa foi a segunda vez seguida que houve melhora no indicador, mas o número continua superior ao observado há um ano, quando estava em 5%.

Segundo o BC, a queda dos atrasados aconteceu principalmente nos empréstimos para pessoas físicas, cuja taxa caiu de 7,3% para 7%, na comparação mensal. Nas operações para as pessoas jurídicas, a inadimplência passou de 3,7% para 3,6%, na mesma base. Há um ano, a inadimplência das famílias estava 8,4% e nas empresas, em 2,6%.

No conceito adotado pelo BC, a inadimplência consiste no atraso superior a 90 dias nos pagamentos relativos a empréstimos e financiamentos.

Base monetária tem contração

A base monetária - que é total do papel moeda emitido somado às reservas bancárias - teve contração de 2% em março, na comparação com fevereiro na média dos saldos diários. Segundo o Banco Central, a base caiu de R$ 161,879 bilhões em fevereiro para R$ 158,721 bilhões no mês passado, por esse conceito. Apesar dessa retração mensal, o valor apresenta expansão de 20,1% no acumulado em 12 meses.

No conceito de ponta, que leva em conta o saldo no fim do período, a base monetária teve expansão de 1,5% de R$ 154,334 bilhões em fevereiro para R$ 156,710 bilhões em março. No acumulado em 12 meses, por esse conceito, o valor teve expansão de 16%.

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