Contágio da crise é o principal risco ao sistema financeiro, diz BC europeu

Em relatório divulgado semestralmente, autoridade monetária diz que os riscos à economia da região aumentaram para o pior nível desde 2008

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

19 de dezembro de 2011 | 15h28

LONDRES - O Banco Central Europeu (BCE) identificou aqueles que considera os principais riscos ao sistema financeiro, atualmente. Em seu Relatório sobre a Estabilidade Financeira, divulgado semestralmente, o principal risco apontado é o contágio a partir de países com problemas em suas dívidas soberanas.

"Os efeitos de contágio se disseminaram bastante entre as dívidas soberanas e os bancos da zona do euro", afirmou o BCE no documento publicado desta segunda-feira. Segundo ele, a possibilidade de que países da zona do euro enfrentem dificuldades em refinanciar suas dívidas permanece entre os maiores riscos à estabilidade financeira na região.

Em segundo lugar, o BCE citou dificuldades nos mercados de financiamento para os bancos. Também destacou a desaceleração econômica e sua capacidade de causar mais perdas para os bancos. Em quarto, citou os desequilíbrios de importantes economias globais e o risco de uma forte desaceleração.  

Segundo o relatório, os riscos à estabilidade do sistema financeiro da zona do euro subiram "substancialmente" na segunda metade deste ano, para o pior nível desde o colapso do Lehman Brothers em 2008. O BCE apontou que é agora vital que os governos implementem o acordo fechado em 9 de dezembro, fortalecendo a disciplina fiscal na região e elevando o poder de fogo das linhas de crédito para enfrentar a crise.

O apelo é feito no momento em que ministros das Finanças realizam conferência por telefone sobre como exatamente levantar o financiamento adicional de 200 bilhões de euros para o Fundo Monetário Internacional (FMI), prometido no acordo do dia 9.

Comentando as respostas dos governos à crise em geral, o BCE notou que "um processo de ratificação acidentado parece contribuir para as incertezas adicionais do mercado".

Compra de títulos

O BCE está usando sua ferramenta de política monetária mais potente, a compra de títulos soberanos no mercado secundário, para estimular a economia, mas essa abordagem não é eterna nem infinita e também não pode ser empregada com mais intensidade, como defende o mercado, pois a instituição precisa manter a estabilidade financeira sem perder a credibilidade, disse Draghi.

"Temos de agir dentro dos limites dos tratados", disse Draghi, destacando que o banco central precisa proteger seu próprio balanço e que o preço dos títulos soberanos europeus reflete a tensão atual, mas também serve de sinal para os governos agirem. Ele acrescentou que o mandato do BCE é restrito apenas à manter a estabilidade dos preços, diferentemente do Federal Reserve, o banco central dos EUA, que também tem como função garantir o nível máximo de emprego.

As informações são da Dow Jones.

Texto atualizado às 16h29

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