Contas públicas foram afetadas por precatório e gasto com juro, diz BC

Apesar de a Selic do 1º trimestre ter sido menor que a observada um ano antes, o gasto cresceu porque a inflação em alta aumentou o pagamento de juros em títulos de inflação

Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

30 de abril de 2010 | 13h02

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que o mau resultado das contas públicas em março foi diretamente afetado pelo fato atípico de pagamentos concentrados de precatórios. Segundo ele, o gasto com o pagamento dessas dívidas somou R$ 6,8 bilhões no mês passado, o que afetou diretamente as contas e gerou o pior resultado primário para o mês desde o início da série. Esse pagamento fez o resultado primário despencar de um superávit de R$ 7,929 bilhões em março de 2009 para o déficit de R$ 216 milhões no mês passado.

No trimestre, as contas também foram prejudicadas pelo maior pagamento de juros em meio ao aumento da inflação. Apesar de a taxa Selic do primeiro trimestre ter sido menor que a observada um ano antes, o gasto cresceu e atingiu recorde porque a inflação em alta aumentou o pagamento de juros em títulos atrelados aos índices de preço, como o IPCA e IGP-M.

Altamir citou como exemplo o IPCA, que subiu 0,20% em março de 2009 e avançou 0,52% no mês passado. No caso do IGP-M, o salto foi ainda pior: de uma deflação de 0,74% em março de 2009 para inflação de 0,94% em março de 2010. No trimestre, a despesa aumentou 14,9%, para R$ 16,857 bilhões.

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