Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Contrato de longo prazo impede empresa de renegociar

Entre as companhias que optaram por este modelo de negociação estão o Itaú BBA e a Dow Química

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2015 | 05h00

Enquanto a maior parte das empresas está renegociando aluguéis ou buscando edifícios mais modernos a preços mais baixos do que os que pagam atualmente, algumas companhias estão de mãos atadas e não podem aproveitar o mercado favorável para renegociações e pechinchas. Estão neste grupo empresas que, em um momento de escassez de escritórios de qualidade, optaram por um tipo comum de contrato no meio corporativo: o “built to suit”, ou seja, prédios desenvolvidos para as necessidades de um cliente específico.

O banco de investimento Itaú BBA, que ocupa um edifício na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, optou pelo “built to suit”. O edifício pertence a um fundo do grupo Brookfield, que adquiriu o empreendimento do dono original, a Tishman Speyer, por R$ 680 milhões. A Tishman gastou R$ 500 milhões para desenvolver o projeto. A atratividade do negócio para a Brookfield foi definida pelo contrato de longo prazo com o banco de investimentos, segundo apurou o Estado. Procurado, o Itaú BBA não retornou o contato. A Brookfield não quis comentar.

Sem saída. Segundo fontes do mercado imobiliário, os contratos do tipo “built to suit” costumam ser muito bem amarrados e não dão margem para o cliente renegociar preços em caso de períodos de baixa de mercado, como o atual. Esses contratos costumam ser de longo prazo, geralmente com duração de 10 a 15 anos – a maioria dos acordos vigentes não deve ser revista tão cedo. 

Entre 2010 e 2012, quando a economia crescia a ritmo acelerado e a vacância de bons espaços era muito baixa, de cerca de 5%, era comum que empresas optassem pelo “built to suit”. Atualmente, no entanto, está bem difícil convencer um empresário a aceitar esse tipo de condição, pois há abundância de prédios modernos (e baratos) para alugar. 

Outra empresa que fechou um contrato de longo prazo foi a Dow Química, cujos escritórios ficam nas proximidades do Shopping Morumbi, na zona sul de São Paulo. A sede da Dow fica justamente na região em que se concentra hoje a maior oferta de novos escritórios a preço baixo em São Paulo. A Dow confirmou a existência do contrato, mas não quis comentar o assunto.

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