Edgard Garrido/Reuters
Edgard Garrido/Reuters

Controladora da Ambev fará oferta de compra pela 2ª maior fabricante de cervejas do mundo

Caso a proposta da Anheuser-Busch InBev seja aceita pela SABMiller, o negócio dará origem a um gigante do setor de US$ 245 bilhões com domínio de boa parte do mercado mundial de cerveja

Fernando Scheller, Beth Moreira, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 11h10

Atualizado às 22h03

A Anheuser-Busch InBev, que tem entre seus sócios os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, deu o primeiro passo oficial para ampliar ainda mais a gigante belgo-brasileira de bebidas. A AB InBev, líder global de mercado de cervejas, informou que fará uma proposta pela vice-líder, a britânica SABMiller. A combinação dos ativos formaria um grupo avaliado em US$ 245 bilhões e deixaria bem para trás as atuais número 3 e 4 deste mercado, a holandesa Heineken e a dinamarquesa Carlsberg. Na esteira do anúncio das conversas, as ações da SABMiller subiram quase 20% nesta quarta-feira.

Com as marcas da Ambev, como Skol, Antarctica e Brahma, a ABInBev é líder absoluta do mercado brasileiro de cervejas, com quase 70% de participação. A SABMiller, enquanto isso, tem presença muito discreta no País. Em 2014, a empresa chegou a firmar um acordo de distribuição de certas marcas com a principal rival da Ambev, a cervejaria Petrópolis, fundada por Walter Faria (ex-Schincariol). Mas a distribuição ainda é incipiente, segundo fontes de mercado. Um acordo global com a AB Inbev jogaria uma pá de cal na parceria e também em outra especulação de mercado: a compra da Petrópolis (dona de marcas como Itaipava e Crystal) pela SABMiller.

Enquanto a AB InBev tem uma posição dominante no Brasil, a SABMiller ganhou espaço importante em outros mercados latino-americanos. Segundo os analistas Gabriel Vaz de Lima e Danniela Chambô Eiger, do Bradesco BBI, a SABMiller tem mais de 90% de mercado em países como Colômbia, Peru e Equador. Entre as principais marcas globais da SABMiller, destacam-se Miller e Coors. Em nível global, a AB InBev fabrica rótulos como Budweiser, Stella Artois e Corona.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, a Ambev disse que o processo está sendo conduzido diretamente pela AB InBev, sem a participação da subsidiária brasileira, de modo que não há informações adicionais àquelas divulgadas por AB InBev ou por SABMiller. Segundo apurou o Estado, o negócio entre as gigantes globais não traria problemas concorrenciais no País, por causa da participação quase nula das marcas da cervejaria britânica por aqui.

Para a Heineken, número três no mercado global que vem tentando ganhar força no Brasil, onde também é dona da Kaiser, a união das duas líderes seria um desafio. Primeiro, porque novas marcas globais começariam a disputar o mercado brasileiro e, segundo, porque a empresa ficaria mais distante das líderes mundiais. Juntas, a AB InBev e a SABMiller produziriam 615 milhões de hectolitros de cerveja, mais ou menos o dobro da fatia combinada de Heineken e Carlserg (cerca de 315 milhões de hectolitros).

Avanço. Quem acompanha o mercado de cerveja sabe que os rumores de união das líderes de mercado não começaram hoje. No entanto, antes elas jamais tinham começado a cumprir os ritos para a concretização de uma fusão ou aquisição - começando pela prestação de informações à Bolsa. “É claro que há resistência dentro da SAB, de gente que quer manter a integridade do produto. Mas isso também existia na Budweiser, que acabou comprada. É tudo uma questão de preço”, disse um consultor do setor.

África. A aquisição seria uma forma de a AB InBev dominar o mundo. A SAB é forte em mercados onde a AB InBev está ausente ou tem pouca relevância. “A atração real é a África, onde a AB InBev não tem presença, assim como alguns acréscimos na Ásia e na América Latina”, disse Andrew Holland, analista do setor de bebidas do banco Société Générale. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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