Convergência da inflação para a meta em 2012 ainda é dúvida, diz Febraban

Para o ano que vem, a previsão dos 31 bancos que participaram da pesquisa da Febraban é de que a inflação tenha alta de 5,1%; centro da meta é 4,5%

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

22 de junho de 2011 | 17h12

Os indicadores que sustentam as dúvidas sobre a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2012 são mais numerosos do que os que indicam uma tendência de queda nos preços de modo que o IPCA convirja para a meta no próximo ano. A afirmação foi feita nesta quarta-feira, 22, pelo economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, durante entrevista online, em que fez comentários sobre a Pesquisa Febraban de Projeções Macroeconômicas e Expectativas de Mercado de junho, realizada com 31 bancos entre os dias 16 e 21.

"Eu acho que existe essa possibilidade de a inflação convergir à meta em 2012, mas existem dúvidas se terá ou não esta convergência", disse o economista da Febraban. Sobre a queda da inflação implícita nas NTN-B (títulos públicos com rentabilidade vinculada à variação do IPCA acrescida de juros definidos no momento da compra), destacada ontem pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, como mais um indicador de que o IPCA em 2012 convergirá para a meta, o economista da Febraban ponderou: "Têm os indicadores como este citado pelo BC, mas há indicadores de dúvidas sobre se a desaceleração da inflação será suficiente para levar a inflação para a meta", considerou o chefe do Departamento Econômico da Febraban.

Nesta terça, durante a 4º Conferência Anual de Equity, realizada pelo Citibank na capital paulista, segundo participantes do evento, Tombini teria comemorado a queda da inflação implícita nas NTN-B para abaixo de 5%, o que não acontecia desde setembro de 2009. Na semana passada, as NTN-B com vencimento em agosto de 2012 projetavam uma inflação implícita de 4,997%.

Além de não estar certo de que a desaceleração econômica em curso será suficiente para forçar a inflação convergir para a meta no ano que vem, Sardenberg se mostra preocupado com a concentração no segundo semestre dos reajustes dos salários das principais categorias de profissionais. "Há mais indicadores de dúvidas do que indicadores de tendências de convergência da inflação", disse o economista da Febraban.

Para este ano, a Pesquisa Febraban aponta para uma inflação de 6,2%, taxa que se situa apenas 0,3 ponto porcentual abaixo do teto da meta, que é de 6,5%. Para o ano que vem, horizonte para o qual apontam todas as medidas adotadas agora pelo Banco Central, a previsão dos 31 bancos que participaram da pesquisa é de que a inflação tenha alta de 5,1%.

Meta de inflação para 2013

O economista da Febraban comentou a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de manter em 4,5% a meta de inflação em 2013. De acordo com ele, já era esperado que isso fosse acontecer. Embora tenha feito questão de deixar claro que este é um tema sobre o qual a Febraban prefere não se pronunciar, Sardenberg se arriscou a afirmar que "o desejável é que ao longo do tempo a meta fosse reduzida". "Países de economias semelhantes à do Brasil têm metas menores, ao redor de 3%", comparou.

Sardenberg reconhece, no entanto, que há no momento uma dificuldade grande para o governo reduzir a meta de inflação até mesmo por conta da pressão vinda da inflação corrente. "O ideal era que a meta de inflação fosse para 3% para que pudéssemos ter uma taxa de juros de curto prazo mais baixa", disse.

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