Cooxupé vai superar meta de exportações de café em 2004

Belo Horizonte, 17 - A Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé) irá superar a marca de 1,4 milhão de sacas exportadas de café, segundo dados divulgados hoje pela entidade. De acordo com as informações, o volume de café embarcado pela cooperativa nos últimos seis anos já é superior a 1 milhão de sacas, independente da produção brasileira do grão, que oscila em função da bianualidade da cultura. Entretanto, segundo o presidente da Cooperativa, Carlos Alberto Paulino da Costa, entre os meses de janeiro a outubro o total exportado já havia atingido 1.126.157 sacas, o equivalente a 6,12% do volume embarcado pelo Brasil no período. A expectativa é de que o volume vendido pela cooperativa no mercado interno chegue a 1,4 milhão de sacas. O recorde de café recebido pela Cooxupé também deverá ser superado este ano. O objetivo inicial era um volume de 3,4 milhões de sacas. Entretanto, conforme o presidente, a expectativa é de um recebimento de 3,5 milhões. Os picos de entrada de café nos armazéns aconteceram em agosto e setembro, quando a média diária ultrapassou 30 mil sacas. Se as estimativas forem confirmadas, a Cooperativa irá fechar o ano com um total de 11% da produção nacional de café. Segundo o presidente da Cooxupé, os maiores responsáveis pelo incremento tanto do volume recebido pela cooperativa, quanto do recorde em exportações, foram a maior agressividade da entidade no mercado, além do aumento do número de cooperados. Este ano foram agregados 700 novos associados aos 9 mil que já pertenciam aos quadros da entidade. "Muitos cooperados tiveram problemas com produtos estocados em armazéns gerais e em outras cooperativas e foi justamente nestes lugares que conseguimos ampliar o número de associados", revela. A Cooxupé possui 16 filiais, sendo 4 no cerrado mineiro, 10 no sul de Minas e duas no estado de São Paulo. Para o presidente da Cooxupé, a melhora das cotações do produto ainda não deverá estimular o incremento do plantio para a próxima safra. "Os preços atuais ainda não remuneram o produtor", afirma. Ele explica que boa parte do café colhido na safra 2004/2005 foi de café de qualidade inferior, que está sendo cotado a um patamar entre R$ 180 e R$ 220, quando o custo de produção foi de R$ 210. Ele admite, no entanto, que caso o ciclo de alta de preços se sustente até o final deste ano, parte dos produtores poderá aumentar as vendas. O presidente da Cooxupé revela que, por enquanto, não existe escassez na oferta do produto. Para o próximo ano, entretanto, as perspectivas são de uma safra menor, em função da bianualidade. Da mesma forma, as condições climáticas não foram favoráveis este ano e alguns produtores têm optado pela renovação das lavouras. "No momento não está faltando, mas no próximo ano a expectativa é de queda na oferta", disse. Costa afirmou que a intenção do governo federal de leiloar 430 mil sacas de café vinculadas às opções de venda lançadas no ano passado ainda deve demorar. O governo chegou a sugerir que a saca pode ser negociada a R$ 300. "Isto ainda é um estudo e terá que ser aprovado pelo Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC)", lembra. Segundo o presidente da Cooxupé, a proposta anunciada hoje pelo deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG) no plenário da Câmara dos Deputados, de conversão de dívida em produto, é uma reivindicação antiga do setor. "Esta é a moeda de que o produtor dispõe e esta mudança atenderia melhor o setor e daria mais tranqüilidade ao cafeicultor", afirma. De acordo com ele, a idéia também proposta pelo deputado de prorrogar por 90 dias os vencimentos de dívidas seria suficiente para que o Conselho Monetário Nacional (CMN) pudesse avaliar a proposta. Quanto à proposta do deputado federal Carlos Melles (PFL-MG), da formação de uma frente parlamentar latino-americana de apoio à cafeicultura, Costa considera que a convergência de interesses pode ser difícil, "mas conversar não custa nada".

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