Copom ratifica apostas do mercado de redução moderada de juro

Banco Central trabalha com certa ousadia ao aceitar um pouco mais de inflação para não prejudicar muito a atividade econômica

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

19 de outubro de 2011 | 20h24

BRASÍLIA - Exatamente como esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou o juro em 0,50 ponto porcentual. A aposta prevalecia entre os economistas e foi consolidada no início do mês após indicação dada pelo próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Há duas semanas, o responsável pela taxa Selic defendeu que reduções "moderadas" do juro, como a realizada de agosto, são suficientes para levar a inflação ao centro da meta em 2012.

Após a surpresa generalizada com a diminuição da taxa em 0,50 ponto em agosto, economistas passaram por um gradual processo de compreensão do chamado "novo BC" capitaneado por Tombini. Ao longo dos últimos 49 dias, o mercado entendeu que a autoridade monetária do governo de Dilma Rousseff trabalha com certa ousadia ao aceitar um pouco mais de inflação para não prejudicar muito a atividade econômica. Por isso, o mercado acredita que os cortes continuarão até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2012.

Apoiado pelo Palácio do Planalto e Ministério da Fazenda, o BC também aposta que a inflação cairá pelo menos 2 pontos porcentuais nos próximos meses porque a economia vai crescer menos, o que reduzirá a demanda interna. A crise internacional também ajuda a inflação ao reduzir preços de commodities - produtos básicos como o petróleo, soja e milho.

Apesar de o mercado seguir preocupado com o IPCA que acumula alta de 7,31% nos últimos 12 meses - bem acima do teto da meta de 6,5% - cresce entre os analistas a percepção de que o Brasil já roda em velocidade mais baixa. Nas instituições financeiras, causou surpresa o indicador do próprio BC que aponta que a atividade econômica teve retração de 0,53% em agosto. O desempenho foi pior que a previsão de estabilidade da maioria dos economistas.

Outros fatos reforçaram o pessimismo: queda da confiança de empresários, o pior setembro para o emprego desde 2006 e o início de programas de demissão voluntária em algumas empresas.

Por tudo isso, cresce a expectativa no mercado de que o Brasil pode, inclusive, ter PIB negativo no terceiro trimestre. Se confirmada, essa hipótese poderia fazer com que o Copom acelere o ritmo dos cortes na reunião marcada para 29 e 30 de novembro. Para o HSBC, essas novas evidências já devem fazer com que o Copom reduza o juro em 0,75 ponto no próximo mês.

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