Marcello Casal Jr./ABr
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Lucro dos Correios cai a R$ 9,9 milhões em 2014, o menor da história

As receitas de vendas cresceram 8,4%, para R$ 16,6 bilhões, enquanto as despesas foram de R$ 17,7 bilhões no ano passado

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2015 | 20h25

Os Correios tiveram em 2014 o menor lucro da história da estatal: R$ 9,9 milhões, 97% inferior do que o registrado no ano anterior. Em 2012, impactado pelo pagamento feito pelo Banco do Brasil  para usar a rede do Banco Postal, a estatal ficou no azul em R$ 1,1 bilhão.

O resultado do ano passado também foi pior do que o verificado em 2009, quando os Correios apuraram lucro de R$ 177,5 milhões, em decorrência do reconhecimento no balanço do provisionamento de perdas do fundo de pensão dos funcionários da estatal, o Postalis.

Para não fechar o balanço no vermelho no ano passado, o que não ocorre desde 1995, os Correios reverteram justamente uma parte da provisão feita há seis anos, no valor de R$ 1,086 bilhão, que servia para a eventual necessidade de cobrir déficits do Postalis.

O representante dos trabalhadores no conselho de administração, Marcos César Alves Silva, considerou a decisão "temerária" pelo fato de que as discussões sobre a forma como o rombo de R$ 5,6 bilhões do plano mais antigo do Postalis será coberto ainda aguardam decisões judiciais e do xerife do setor, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). As cobranças extras dos funcionários e da empresa foram suspensas depois de um acordo e só voltarão em 2016. "Na avaliação preliminar da área jurídica dos Correios, o risco para a empresa é remoto, não justificando o provisionamento", afirmou a empresa, em nota. De acordo com a estatal, a determinação foi do Ministério do Planejamento e do Tesouro Nacional.

De acordo com os dados do balanço publicados nesta segunda-feira, 1º, no Diário Oficial da União (DOU), a estatal - que tem o monopólio de cartas pessoais e comerciais, cartões-postais e malotes e pouca concorrência em cidades do interior - é uma empresa que está no vermelho na sua principal atividade. As receitas de vendas cresceram 8,4%, para R$ 16,6 bilhões, enquanto as despesas cresceram 7%, para R$ 17,7 bilhões.

O carro-chefe da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) são as encomendas envidas pelo Sedex, que representa um terço de tudo o que a empresa fatura com serviços. No ano passado, teve expansão de 9,5%, o equivalente a R$ 5,6 bilhões. O segmento financeiro ainda responde por apenas 5% do total das receitas.

Tarifas. O lucro dos Correios foi impactado negativamente pelo represamento do preço das tarifas de serviços que ficou congelado por dois anos e teve um reajuste de 7% em 2014, que não compensou nem a inflação do período. A decisão de controlar artificialmente os preços retirou da empresa R$ 482 milhões só em 2014. Juntando os dois anos anteriores, o realinhamento que não foi feito acrescentaria R$ 839 milhões ao resultado da estatal.

O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, afirmou na reunião do dia 21 de maio, quando o balanço foi aprovado pelo conselho de administração, do qual é presidente, que é "prioridade" a realização de ajustes nos preços dos serviços para a geração de lucro operacional. Ele encomendou à empresa que prepare uma proposta de "recuperação gradual" do valor das tarifas para ser aplicada ao longo deste ano.

Se os Correios foram liberados pelo governo de parte da provisão do Postalis, tiveram, para seguir normas contábeis, de provisionar R$ 786 milhões para eventuais calotes na Postal Saúde, plano de assistência médica dos funcionários. Também desembolsaram R$ 235 milhões para o plano de incentivo à aposentadoria.

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