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Corretores de ações são mais irresponsáveis que psicopatas, diz estudo

Pesquisadores mediram a disposição em cooperar e o egoísmo de corretores profissionais; resultados excederam a expectativa dos autores do estudo

Der Spiegel,

29 de setembro de 2011 | 23h00

Duas semanas atrás, um novo caso de fraude na corretagem de ações abalou o mundo financeiro quando Kweku Adoboli, um negociante do UBS, foi detido por ter supostamente desperdiçado cerca de US$ 2,3 bilhões num investimento arriscado e não autorizado. O funcionário de 31 anos, que trabalhava em Londres para o banco suíço, continua na prisão. Enquanto isso, o diretor executivo do banco, Oswald Grübel, renunciou ao cargo por causa do escândalo - o terceiro grande constrangimento a abalar a instituição nos últimos anos.

Na última terça-feira, uma fala curiosa chamou se destacou durante a entrevista de um operador de mercado independente à BBC. "Não ligamos muito para como vão consertar a economia. Nosso trabalho é ganhar dinheiro com isso", declarou Alessio Rastani.

A situação espelha um escândalo semelhante ocorrido no banco francês Société Générale, no qual outro jovem "negociante vigarista", Jérôme Kerviel, desperdiçou bilhões apostando em negócios arriscados em 2010. Ele ainda cumpre uma sentença de três anos de prisão. Mas, por que casos como este são tão comuns no mundo financeiro?

De acordo com um novo estudo da Universidade de St. Gallen ao qual o Spiegel teve acesso, um dos fatores que contribuem para este padrão pode ser o fato de o comportamento dos corretores de ações ser mais irresponsável e manipulador do que aquele dos psicopatas. Pesquisadores da universidade suíça mediram a disposição em cooperar e o egoísmo de 28 corretores profissionais que participaram de simulações de computador e testes de inteligência. Os resultados, comparados ao comportamento dos psicopatas, excederam a expectativa dos coautores do estudo - o especialista forense Pascal Scherrer e Thomas Noll, um dos principais administradores da prisão de Pöschwies, ao norte de Zurique.

Fome de destruição

"Naturalmente, não se pode classificar os corretores como lunáticos", disse Noll ao Spiegel. "Mas eles se comportaram de maneira mais egoísta e se mostraram mais dispostos a assumir riscos do que um grupo de psicopatas que foram submetidos ao mesmo teste, por exemplo."

Para Noll, foi particularmente chocante o fato de os banqueiros não terem como objetivo um rendimento mais alto do que o seu grupo de comparação. Em vez disso, pareciam mais interessados em obter uma vantagem competitiva. Em lugar de adotar uma abordagem sóbria, objetiva e profissional na busca pelo maior lucro, "era mais importante para os corretores obter um resultado superior ao de seus oponentes", explicou Noll. "E eles investiam muita energia na tentativa de prejudicar os adversários."

Usando uma metáfora para descrever o comportamento deles, Noll disse que os corretores se comportavam como se o vizinho deles tivesse um carro idêntico, "e eles então o atacassem com um bastão de beisebol só para poder dizer que tinham um carro melhor".

Os pesquisadores disseram que não sabiam como explicar esta atração pela destruição.

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